O aumento da depressão entre os jovens no Brasil

Enviada em 18/10/2017

A problemática Effy, da série Skins, sofre com a separação dos pais e o atropelamento do irmão. Diante disso, os quadros depressivos e o comportamento suicida dela são constantes. Fora das telas, não é diferente, pois a depressão tornou-se um recorrente problema mundial, já que, conforme a Organização Mundial de Saúde (OMS), a doença afeta 350 milhões de pessoas. Nesse contexto, devem-se analisar como o individualismo e o desconhecimento da sociedade brasileira causam tal problema e como combatê-lo.

A princípio, é possível perceber que, segundo Émile Durkheim, quanto maior o grau de solidariedade social, mais firmemente ancorados estão os indivíduos e menos probabilidade haverá de terem depressão caso alguma adversidade se abater sobre eles. No entanto, conforme defendeu Zygmunt Bauman nas obras que retratam a liquidez do momento em qual vivemos, o individualismo é, lamentavelmente, comum e assustador. Sendo assim, de acordo com a teoria de Durkheim, a solidariedade social está cada vez menor e, por isso, a taxa de depressão está cada vez maior. Não é à toa, então, que diversos sociólogos, psicólogos e psiquiatras retratam esse problema como o verdadeiro mal do século.

Outrossim, vale ressaltar que o desconhecimento da população brasileira em relação a essa doença é igualmente fator que colabora com seu aumento entre os jovens. Isso ocorre porque, a falta do entendimento dos mecanismos biológicos e sociais que provoca a depressão e seus sintomas, fazem com que o estigma do depressivo como uma pessoa fraca, dramática e infeliz permaneça, passando a ideia de que ele escolheu ficar assim e, portanto, só depende de ele sair desse quadro. Também pode-se comprovar o aumento da depressão  pela frase popular “depressão é frescura”, que propõe ignorar a temática para evitar os conflitos evidentes ao se tratar do assunto.

Por tudo isso, é lamentável que cada vez mais brasileiros sejam afetados por essa doença, havendo, pois, a necessária ação do Estado, por meio do SUS, em prol do combate ao seu crescimento. Ademais, cabe a realização de fóruns, debates e palestras promovidas pelo Poder Público em associação com ONGs, com a participação de psicólogos, tendo a finalidade de discutir os mecanismos e sintomas da depressão, a fim de esclarecer os jovens e a população de modo geral. Paralelamente, os cidadãos devem veicular conteúdos nas redes sociais capazes de minimizar a cultura do individualismo e aumentar o pensamento solidário em prol da coletividade.