O aumento da depressão entre os jovens no Brasil
Enviada em 18/10/2017
“A mão que afaga é a mesma que apedreja”. Na obra de Augusto do Anjos, evidencia-se uma situação inicial de exaltação ligada ao acolhimento e, após, de julgamento e descaso para com o próximo. Tangente a isso, é interessante corroborar acerca da problemática da depressão inserida nos jovens brasileiros que, de fato, está se tornando cada vez mais comum e suscetível à corrosão social, bem como as decorrências desse aspecto.
Primordialmente, vale ressaltar que a depressão pode ser diagnosticada em jovens de todo o mundo. Sob ângulo histórico, destaca-se a década de 10 e a hegemonia norte americana, em que exibia-se uma visão social de “perfeição”, mas que foi aniquilada devido à crise de 29, conhecida como Grande Depressão. Não obstante, fica claro que os laços familiares na sociedade moderna estão se distanciando, o que acarreta em uma sensação de abandono e de solidão, principalmente em jovens, cuja adolescência marca uma fase de mudança e de desestabilização emocional, contribuindo para o desenvolvimento desse mal. Diante disso, os índices relacionados a essa situação se tornam elevados, como é possível observar no recente estudo realizado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que evidencia o Brasil como o mais prevalente país da América Latina com casos registrados de depressão.
Em segundo plano, cabe saliente que a construção de uma sociedade competitiva também contribui para o agrave do problema. Essa se destaca pela ausência de cooperatividade para com os que sofrem com a doença, o que torna o assunto um tabu. Ademais, observa-se que a mídia não apresenta o seu papel como veículo de informação e transmite programas dentro da temática que, em algumas situações, pode servir como gatilho para jovens, tornando a vida desses um verdadeiro pesadelo, como é o caso da recente adaptação do livro “Os Treze Porquês”. Em concomitância, é comum observar que o bullying é uma prática que vem ganhando cada vez mais espaço nas instituições educacionais o que pode, também, servir de ponte para o escanteamento dos cidadãos depressivos e até mesmo culminar no suicídio. Destarte, é indubitável que a teoria darwinista se aplica à engrenagem atual, em que há o assentamento da ambição e do materialismo, tornando a sociedade tóxica.
Mediante o elencado, observa-se a defasagem da cidadania. Para que o problema amenize, faz-se necessário que o Ministério da Saúde promova a implementação de centros de recuperação, que auxiliará na proteção e na restauração da saúde dos indivíduos. Não suficiente, as instituições educacionais deverão organizar aulas, palestras e reuniões com professores especializados que busquem dar apoio e propor aos estudantes um acompanhamento pedagógico adequado. Desse modo, o Brasil caminhará para um futuro mais justo, menos desigual e mais humano.