O aumento da depressão entre os jovens no Brasil
Enviada em 18/10/2017
O mal do século moderno
O Romantismo, movimento literário do séc. XIX, foi marcado por um termo que sintetizava o comportamento do seus jovens escritores: mal do século. Alguns centenários depois, fala-se novamente em um mal do século que atinge os jovens, identificado como depressão, que embora tenha diferenças crucias quanto o uso original da expressão, tem em comum a angústia existencial que, em alguns caso, culmina em suicídio e o contexto social como um dos precursores do problema. Ainda, na situação atual, o estigma ligado à doença associado ao desconhecimento funcionam como agravantes do fenômeno.
O conceito de felicidade moderno é vinculado a padrões por muitas vezes inalcançáveis. O culto ao consumo, a substituição do ter pelo ser e a ideia de realização como riqueza geram pressões nos indivíduos, que por não conseguirem tais ideais, acabam por sucumbir a frustração. No caso dos jovens, o problema é acentuado por estarem em um período de formação e mais suscetíveis a influências externas. Ainda, dentre as pressões sociais, cabe destacar o culto ao corpo que atinge mais as meninas, e pode ser um dos fatores que explicam a prevalência de depressão nesse grupo.
Além do mais, o desconhecimento da doença, por boa parcela da população, faz com que jovens acometidos pela enfermidade sejam taxados de “preguiçosos”, " sem força de vontade", “sem problemas reais” e outros tantos julgamentos que pioram o quadro por não só impedirem um diagnostico adequado, quanto por inibirem, até mesmo, um pedido de ajuda. Ademais, mesmo em casos em que há conhecimento do problema por parte da família e tratamento, o estigma associado à doença faz com que os adolescentes sintam vergonha do seu quadro e retraiam-se ainda mais.
Em visto disso, faz-se necessário que o Ministério da Saúde promova palestras, em escolas, que esclareçam pais e alunos sobre a depressão, juntamente com a distribuição de cartilhas que ajudem a identificar sintomas e indiquem lugares aptos para atendimento de adolescentes. Além de ministrar cursos para os professores, afim que estes fiquem cientes do problema e desenvolvam ferramentas para a identificação e melhor forma de encaminhamento da situação quando presente em suas salas de aula. Por fim, que os CAP’S criem rodas de conversas sobre o tema com o objetivo de informar e se colocar como um lugar de tratamento para a comunidade sob sua influência.