O aumento da depressão entre os jovens no Brasil
Enviada em 17/10/2017
Por muito tempo, doenças psíquicas eram tratadas como “loucuras” insolucionáveis, dando um único destino ao doente: o manicômio. A triste trajetória desses locais foi findada no século XX, mediante pesquisas na área psiquiátrica em que, dentre elas, a depressão foi melhor entendida. Essa efemeridade é responsável por tristeza e desânimo profundos, uma crescente realidade que acomete milhares de jovens brasileiros. Assim, é imprescindível explorar as causas do vertiginoso aumento dessa doença entre a juventude do Brasil, como a pressão e o desconhecimento da sociedade. De início, é importante ressaltar que os imperativos sociais são responsáveis pela frustração contínua. A globalização atual, sem dúvida, expandiu formas de consumo e de vivência, porém encontrar-se fora delas é determinado como estranho. Isso promove uma necessidade, principalmente à juventude, de buscar uma melhora constante, seja na beleza, seja em toda a rotina, algo nunca alcançado no mundo líquido em que se vive, de acordo com as teorias de Zigmundt Bauman. Dessa forma, a inconstância e a utopia a que os jovens são submetidos, indubitavelmente, promovem baixa autoestima e exclusão nos grupos, fatores estimulantes da depressão. Bom exemplo disso é a série “13 reasons why” que retrata a jovem Hannah Baker a qual por ser “diferente” é ignorada e desenvolve a doença. É necessário pontuar, ainda, que a depressão é pouco debatida e conhecida no Brasil. Da mesma forma como ocorre com graves doenças que assolam o país, a exemplo da dengue, o transtorno depressivo deve ter seus sintomas reconhecidos pela população, a fim de que possam procurar ajuda ou para si, ou para os conhecidos. Lastimavelmente, por ser uma efemeridade mental, o preconceito ainda persiste e muito pouco é abordado sobre a temática, o que resulta em filhos, amigos, colegas e alunos os quais possam estar passando pelo problema e não serem reconhecidos. Então, muitas vezes a prevenção e a ajuda que poderia ser efetuada não se concretiza e transforma o Brasil no país com mais jovens depressivos na América Latina, segundo a OMS - Organização Mundial da Saúde. O aumento de jovens com depressão no Brasil é, portanto, resultado da sociedade em que se vive: impositiva e pouco informada. Nesse aspecto, cabe às escolas promoverem oficinas semanais com psiquiatras e psicólogos que desestruturem a contínua imposição nesse ambiente, além de ensinarem sobre sintomas da depressão, dando a chance a todos os alunos de refletirem e, em caso de necessidade, procurarem ajuda na secretaria escolar. Também, é dever do Ministério da Saúde ampliar, em redes sociais, televisão e outdoors, campanhas sobre a depressão e seus sintomas, também realizando durante todo o ano, principalmente durante o Setembro Amarelo, mutirões virtuais e em praças públicas que tragam o debate para dentro dos lares, das casas e dos círculos de amizade.