O aumento da depressão entre os jovens no Brasil

Enviada em 22/10/2017

Se na Grécia Antiga a felicidade das pessoas era dada pela prosperidade e bom funcionamento da cidade, hoje ela é dada pelos momentos e pelas emoções de cada um. Essa nova condição para ser feliz é característica da liquidez da sociedade e sinalizadora do esvaziamento das pessoas no Brasil, o que resulta no aumento da depressão no país, principalmente entre os jovens.

A mídia traz para as pessoas a ideia de que a felicidade está nas coisas e nos padrões: quem não pode comprar essas coisas e quem não consegue estar nos padrões se sente infeliz. Essa é a marca da modernidade líquida como conceituado por Zygmunt Bauman, em que os indivíduos se tornam escravos do consumo, da padronização e da artificialidade por estarem alienados. Os jovens se deixam abalar mais facilmente pelo que a mídia impõe, pois se sentem na necessidade de serem aceitos, o que os torna mais suscetíveis à depressão.

A busca pela felicidade hoje é como no mito das sereias: a felicidade representa a sereia, a mídia e as emoções são o canto hipnotizador e as pessoas, os pescadores que, encantados, afundam. O culto às emoções é capaz de afundar os indivíduos emocionalmente, os levando à depressão. Essa doença, que tem números altos no Brasil, reflete em um dos vazios propostos por Hannah Arendt, o vazio da emoção, nesse caso, vazio de verdadeiras emoções.

O problema da depressão na sociedade brasileira só pode ser resolvido quando os índices dessa doença forem encarados como anormais e quando suas causas forem reconhecidas e combatidas. Para isso, precisa-se de uma atuação conjunta entre o Estado e a mídia, de modo que o primeiro possa selecionar o que é ou não divulgado pelo segundo. A educação também é importante, pois através dessa a alienação pode ser suprimida, para que, assim, os indivíduos não se deixem encantar pelas falsas felicidades oferecidas e estimuladas pelo meio externo.