O aumento da depressão entre os jovens no Brasil

Enviada em 18/10/2017

Dados divulgados pela BioMed Central, em 2011, revelam que o Brasil é o terceiro país com maior índice de depressão. Nesse sentido, é importante destacar que a depressão entre os jovens têm aumentado vertiginosamente. Torna-se importante, portanto, discutir questões da contemporaneidade e o papel da escola para com essa temática a fim de compreender as causas do agravamento dessa triste realidade e, assim, propor medidas que visem mitigar sua ocorrência.

À guisa da premissa proposta pelo sociólogo Zygmund Bauman vivemos em uma modernidade líquida, devido a inconstância e rapidez em que os processos e relações se dão. Nessa perspectiva, os jovens são o grupo que melhor reproduzem essa lógica, uma vez que buscam atingir seus objetivos de maneira cada vez mais instantânea. No entanto, os indivíduos apresentam condições particulares distintas, o que confere a eles tempos diferentes para chegarem onde almejam. Soma-se a esse fator, o bombardeamento de vidas perfeitas que as redes sociais submetem essa faixa etária. Nessas redes, as pessoas são felizes, viajam o mundo e estão constantemente portando os produtos do momento. O jovem que, por sua vez, não se vê inserido nesse contexto e se percebe distante de seus planos, não consegue compreender sua existência e, portanto, se coloca em situação de exclusão social e sente um vazio existencial, o que colabora para o quadro clínico de depressão.

Outrossim, é necessário discutir o papel da escola nesse drástico cenário. Afirma-se isso, pois essa instituição social por ser um fundamental local de convívio dos imberbes, tem responsabilidade de acompanhar o comportamento desses. Nesse sentido, percebe-se o bullying nas redes de ensino como grande causador da depressão. Contata-se isso, pois os jovens por estarem em uma etapa de formação de valores sentem necessidade de serem aceitos e, por isso, quando se deparam com ameaças, insultos e intimidações, muitas vezes, se isolam, o que pode resultar em depressão.

Em suma, depreende-se que é imperiosa a necessidade de medidas que busquem combater essa doença crônica. É imprescindível, destarte, a ação do Ministério da Educação, nas redes de educação públicas, de implementar palestras e dinâmicas socioeducativas, ministradas por psicólogos e profissionais qualificados, que tratem da depressão como doença, desincentive ações de bullying e que induza os jovens a procurarem ajuda. Essa medida, visa tornar a escola um ambiente profilático e combatente da depressão. Ademais, esse mesmo órgão deve cobrar das instituições particulares a implementação dessa mesma medida, sob pena de multas, tendo em vista uma efetiva atuação.