O aumento da depressão entre os jovens no Brasil

Enviada em 17/10/2017

Depressão: A doença do século

A Constituição Federal de 1988 - norma de maior hierarquia do sistema jurídico brasileiro - assegura a todos a saúde e o bem-estar. Entretanto, o aumento expressivo dos casos de brasileiros com depressão demonstra que esses indivíduos ainda não experimentaram esse direito na prática. Nesse sentido, o cotidiano da sociedade atual e a falta de empatia entre os indivíduos são causas dessa problemática.

Em primeiro plano, a rotina dos indivíduos na sociedade contemporânea corrobora para que a depressão seja a doença do século XXI. A respeito disso, o cotidiano de trabalho ou estudo diários tornou-se um empecilho, no qual as pessoas possuem pouco tempo para cuidar da saúde ou ter mais interações sociais, o que favorece o aparecimento de tal problemática. Nesse contexto, a depressão atingiu cerca de 15% dos estudantes, segundo dados da Associação Nacional de Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior. Dessa forma, os acadêmicos possuem um dia-a-dia estressante, repleto de cobranças somado com a falta de tempo, assim são suscetíveis a doença.

Em segundo lugar, a falta de empatia entre os indivíduos auxilia para que essa doença manifeste-se. Assim, como pressuposto por José de Saramago no seu livro “A Cegueira Branca”, a maior dificuldade dos seres humanos é não enxergar além do superficial. Esse pensamento vincula-se com a questão da depressão, visto que é negligenciada pela sociedade que segrega e discrimina pessoas que possuem essa doença. Todavia, enquanto a sociedade persistir, ignorando e negligenciando, as pessoas com esse problema de saúde, os brasileiros permanecerão sendo vítimas do principal problema psíquico-emocional: a depressão.

Urge, portanto, que o direito a saúde e bem-estar seja, de fato, assegurado na prática, como prevê a Constituição Federal de 1988. Nesse sentido, o Ministério da Saúde deve promover campanhas sensibilizadoras sobre a importância da prevenção e tratamento da depressão, capazes de mostrar as consequências de tal doença, por meio de palestras em escolas, universidades e mídias sociais, a fim de atingir um maior nível de conhecimento e interesse da sociedade. Essa iniciativa seria importante porque colaboraria para o aumento da empatia entre as pessoas e reduziria a negligência, além de contribuir para uma maior procura a psicólogos para tratar do problema.