O aumento da depressão entre os jovens no Brasil

Enviada em 17/10/2017

Depressão: o “Mal do Século” deixou de ser a poesia

O sentimento de melancolia e pessimismo é um tema muito presente tanto no meio artístico quanto literário e reflete o retrato da sociedade contemporânea à estas produções. A poesia de Álvares de Azevedo e de Augusto dos Anjos são exemplos claros de expoentes que exploraram essa vertente, pois mostravam de forma trágica e até fúnebre as mazelas sociais e individuais. Enquanto que o “mal do século” XIX foi a Segunda Geração do Romantismo, a do século XX é a depressão.

Durante muito tempo, as doenças relacionadas ao âmbito psicológico e psíquico foram tidas como forma de chamar atenção e até falta de alguma entidade religiosa. Entretanto, com o avanço da medicina psiquiátrica foi comprovado que a depressão, a ansiedade, o pânico e as demais são problemas que requerem acompanhamento médico e na maioria das vezes tratamentos à base de medicamentos e, em casos mais severos, internações. Segundo um levantamento feito pela OMS (Organização Mundial da Saúde), o número de pessoas que apresentam a depressão cresceu 705% desde 2000, tornando o Brasil o terceiro país mais depressivo do mundo.

De acordo com o diagnóstico do Dr. Dráuzio Varella, a depressão é uma doença crônica que pode atingir indivíduos de todas as faixas etárias e sexos, todavia é mais comum em jovens e a grande maioria deles são mulheres. De forma análoga ao que aconteceu com a adolescente Hannah Backer na série americana “Os 13 porquês”, muitos jovens em todo o mundo são alvos de preconceito, exclusão, falta de diálogo familiar e comportamento inercial de autoridades escolares e acadêmicas, e, a partir daí desencadeiam quadros depressivos e optam por se isolar e não buscar ajuda. Com isso, alguns casos extremos culminam no suicídio, situação que aconteceu com a protagonista da série referida.

Portanto, faz-se necessária a tomada de medidas para resolver os infortúnios supracitados. Assim como Isaac Newton postulou em sua primeira lei, para que uma situação altere seu estado vigente, algo precisa atuar sobre ela, dessa forma, a postura familiar é o primeiro pilar a a ser considerado para o combate à depressão, pois o diálogo entre pais e filhos é de suma importância para a identificação de comportamentos suspeitos. Também deve ser criada uma lei que entre em vigor em instituições de ensino públicas e privadas para que sejam promovidas palestras mensais com psicólogos e psiquiatras que incentivem os jovem à buscarem ajuda, outrossim ao que acontece na campanha “Setembro Amarelo”, em que ocorre a conscientização da importância da saúde mental e do “não ao suicídio”. Além disso, a mídia através de filmes, séries e documentários pode trazer situações semelhantes à de pessoas depressivas e mostrar meios delas encontrarem ajuda em ONG’s especializadas no assunto.