O aumento da depressão entre os jovens no Brasil

Enviada em 18/10/2017

No filme Geração Prozac, Lizzie, aos dois anos de idade, presencia a separação de seus pais e ainda muito jovem passa a apresentar sinais depressivos. Sem tratamento, ao entrar em uma universidade e ser acometida por um grande bloqueio criativo, esses sintomas acabam se agravando. Fora dos cinemas, a depressão na juventude não só continua sendo uma realidade no Brasil, como vem crescendo a cada dia. A partir desse contexto, cabe explorar os motivos desse aumento, bem como a persistência da problemática nessas faixas etárias.

A adolescência é uma fase delicada devido as mudanças físicas e mentais, neste sentido, fatores primordiais para o crescimento da depressão podem residir na cobrança por boa performance escolar e baixa resistência a frustrações. Isso ocorre porque, segundo o psiquiatra Augusto Cury, os jovens conhecem cada vez mais o mundo em que estão, mas quase nada sobre o mundo que são. Com isso, para obter boas notas e ingressar posteriormente em uma universidade ou destacar-se no mercado de trabalho, crianças e adolescentes se veem cada vez mais pressionados por seus pais. Por outro lado, o juvenil também possui menos recursos para lidar com problemas, quando comparado a um adulto.       Pontua-se, ainda, a dificuldade de reconhecer quando um jovem precisa de ajuda como principal fator da persistência dessa doença, principalmente em garotas. Tal dificuldade ocorre, porque adolescentes depressivos não são todos iguais, alguns podem isolar-se, outros podem ficar mais agressivos, dificultando o diagnóstico. No caso das meninas, questões hormonais e culturais podem estar envolvidas, como também, o padrão de beleza imposto nos dias atuais, que de certa forma são mais fortes no sexo feminino e, quando essas exigências não são alcançadas, podem levar ao abatimento. No entanto, forçar estes jovens a falar sobre o problema, pode surtir efeito contrário, levando-os a acreditar que estão dando trabalho aos pais.

Nota-se, desse modo, que o aumento da depressão nesse período de vida é causado principalmente pela união entre pressão social e o difícil diagnóstico. Assim, cabe ao Ministério da Educação, em parceria com o Ministério da Saúde, disponibilizar psicoterapeutas às instituições formadoras de opiniões como escolas, famílias e universidades, fazendo com que o diagnóstico e o tratamento sejam condizentes com a situação de cada adolescente. Aliado a isso, ONGs devem colaborar a partir da atuação em escolas e comunidades através de palestras que discutam o combate a depressão, com o fito de ajudar pais e educadores a entenderem melhor o assunto, dando desta maneira, subsídios para que estes saibam lidar de uma melhor forma com o problema. Deste modo, conseguiremos conscientizar os cidadãos em formação e evitar futuros casos.