O aumento da depressão entre os jovens no Brasil

Enviada em 24/10/2017

“Efeito Werther”

Segundo Zygmunt Bauman, sociólogo polonês, a falta de solidez nas relações sociais é característica da “Modernidade Líquida”. Logo, a necessidade de uma mudança comportamental torna-se emergencial diante da superficialidade de combate à depressão no Brasil. De certo, a midiatização especulativa e a inércia das instituições de ensino corroboram o acentuamento dessa problemática.

A princípio, a exploração midiática em séries e filmes como “Os 13 porquês” ou “Nerve” ao abordarem sobre o suicídio é um fator preocupante, pois alcançam espaço na rotina dos jovens devido a falta de fiscalização sobre conteúdos facilitado pela tecnologia em âmbito familiar. Assim, uma doença social torna-se banalizada diante da especulação errônea, o que torna sua credibilidade refutada ao desencadear  reflexos na vida dos jovens pois encontram-se em construção identitária, o que estimula o aumento dos índices depreciativos e suicidas denominado como “Efeito Werther” descrito na literatura do alemão Johann Van Goethe, onde um autocídio desencadeia a repetição na população. Dessa forma, cabe ressaltar a assertiva do sociólogo Bauman ao observar a liquidez nas relações humanas diante da incapacidade de apatia sobre o sofrimento alheio.

Outrossim, a ociosidade das instituições de ensino referente a abordagem sobre as doenças psicossociais desencadeia nos alunos práticas como o bullying, devido ao desconhecimento de convívio a comportamentos atípicos de sua realidade como o isolamento. Além disso, a aplicação do conteúdo programático de forma restritiva como as disciplinas de química e biologia retrocede à ausência de correlação com os processos vividos no cotidiano dos estudantes no qual desproporciona o entendimento do aluno sobre suas próprias mudanças físicas e comportamentais. Assim, o pedagogo Paulo Freire  torna-se atemporal ao ratificar: " Se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda".

Evidencia-se,pois, que para arrefecer esse cenário retrógrado fazem-se necessário medidas menos paliativas. O Governo Federal em parceria com as emissoras devem reformular o conteúdo programático devido a grande incidência de depressão no Brasil, presente em terceiro lugar no Mapa Mundial a fim de mitigar a influência de atos depreciativos por meio de campanhas que estimulem a conversação familiar com objetivo de alertar os pais sobre esse problema social. Ademais, o Ministério da Educação deve reformular a grade curricular das escolas ao visar à aplicação dinâmica de disciplinas em sintonia com os acontecimentos contemporâneos com cunho de otimizar as práticas de aprendizado. Portanto, com a concretização dessas ações poderá-se pensar no bem estar coletivo.