O aumento da depressão entre os jovens no Brasil
Enviada em 18/10/2017
Outrora, escondidas entre quatro paredes e guardadas a 07 chaves. Hoje, após a luta antimanicomial e os trabalhos de humanização como o da Doutora Nise, ouvimos falar mais abertamente sobre as doenças psiquiátricas. Porém, ainda faz-se necessário um diálogo entre a sociedade e o estado para maior entendimento desta questão de saúde.
Na atualidade, a depressão é vista pela Organização Mundial da Saúde como um dos males deste século. Esta doença silenciosa, que pode atingir qualquer idade e classe social, tem tomado grandes proporções e se agravado devido questões sociais como o desemprego, a perda de um ente querido ou até mesmo as formas de violência como o bullying e o assédio. Concomitantemente, como uma máscara de bem estar, a internet tem ocupado um grande espaço na vida das pessoas, roubando o contato social e criando um mundo paralelo, onde se é possível viver sem a dor e a angústia causada pelos problemas cotidianos, mas em contrapartida, ocasinando um sentimento de vazio e perda.
Parafraseando o cantor e compositor Belchior na música Ypê, deixa-se de viver e de se ter algum objetivo, para apenas desejar. O autor ainda pede que se observe o pé do ypê que revolucionariamente flore ao pé da serra, vivendo assim toda a sua plenitude e cumprindo seu propósito. Assim, um possível caminho para o combate a depressão, conforme o psiquiatra sobrevivente de um campo de concentração Viktor Frankl, é a busca de um sentido para a vida.
Urge, portanto, que a internet, as instituições de saúde e educação e o estado cooperem para um possível fim dos casos de depressão. Cabe a internet o incentivo ao contato com pessoas e a desmistificação da vida online. Compete as instituições de saúde e escolares, trabalhando em parceria, proporcionar debates em sala de aula para o conhecimento das doenças mentais e a possibilidade de uma vida normal e produtiva. Outrossim, fica a cargo do estado disponibilizar o acesso ao atendimento psicológico nas escolas e facilitar o acesso nas unidades de saúde.