O aumento da depressão entre os jovens no Brasil
Enviada em 11/10/2019
Durante o século XIX,a segunda geração romântica no Brasil foi marcada por poetas que construíam seus textos alicerçados em pessimismo,em melancolia e na ausência de alegria em viver.Entretanto,tais características estão cada vez mais presentes na contemporaneidade,fato que permite definir a depressão como o mal do século.Diante disso,para minimizar esse problema,é preciso analisar esse processo de adoecimento do homem decorrente da sua relação com o trabalho e com as pessoas.
É válido ressaltar,a princípio,que a população hodierna vive em uma conjuntura capitalista de superprodução e superdesempenho,o que implica falta de tempo,esgotamento emocional,exaustão e estresse-fatores determinantes para desencadear a depressão.Nesse viés,Sigmund Freud-pai da psicanálise-desenvolveu o conceito de ‘‘cultura do sucesso’’,segundo o qual o indivíduo moderno deve ter êxito em todas as tarefas que se propõe a fazer,e essa imposição seria capaz de subjugá-lo ao mal-estar da modernidade-a exemplo dos transtornos depressivos.Desse modo,é notório que essa busca frustrada pelo sucesso,tal como Freud descreveu,é impulsionada pelo mercado de trabalho cada vez mais competitivo e que exige alta performance dos indivíduos.Logo,esse lamentável cenário favorece o surgimento de doenças psicossomáticas,como a depressão,uma vez que o sucesso é valorizado em detrimento do bem-estar físico e mental.
Em consonância a isso,é indispensável analisar a condição humana atual sob o ponto de vista do filósofo sul coreano Byung-Chul Han.Nesse sentido,para Han,vive-se na era das patologias neuronais decorrente da relação do sujeito com a ‘‘sociedade do desempenho’’-caracterizada pela exigência de sucesso como já estudava Freud.Assim sendo,o homem torna-se explorador de si mesmo e dos outros,além de se desenvolver em total dissonância com os valores humanistas.Isso ocorre devido à falta de tempo para conhecer o outro,para conhecer as virtudes do outro e,assim,aprender com a alteridade.Então,é evidente que a alta exigência de desempenho,sobretudo no trabalho,propicia o individualismo,enfraquece as relações interpessoais e inibe os afetos,o que causa solidão e vazio existencial,contribuindo para a instalação de patologias como a depressão.
Cabe,portanto,ao Ministério do Trabalho,em parceria com as mídias-televisivas e cibernéticas-a criação de campanhas educativas que debatam a importância da saúde mental dos brasileiros.Estas devem ocorrer por meio de palestras com psiquiatras e psicólogos que debatam,focados para empregadores e para empregados,a necessidade de manter vínculos pessoais e de permitir-se falhar e descansar.Essa ação terá a finalidade de conciliar sucesso e bem-estar mental,além de minimizar a solidão das pessoas,o que poderá mudar o contexto da depressão como o mal do século.