O aumento da depressão entre os jovens no Brasil

Enviada em 07/10/2019

No século XIX, o ultrarromantismo ficou conhecido como mal do século, pelo fato de que o movimento tinha como conceito a evasão da realidade, na qual uma das soluções para os problemas existenciais era o suicídio. Dois séculos a frente, a depressão entra em cena, se tornando o mal do século XXI, pois, segundo dados da OMS (Organização Mundial da Saúde), mais de 350 milhões de pessoas do mundo sofrem com depressão, tornando-se uma epidemia global. No Brasil, não muito diferente do restante do mundo, a depressão se faz presente na população, principalmente entre os jovens, como mostra a pesquisa da Associação Brasileira de Psicanálise, na qual cerca de 10% dos adolescentes brasileiros sofrem com depressão, acarretado principalmente pela falta de conhecimento, negligência da população e bullying.

Nesse contexto, faz-se necessário um novo olhar sobre a doença, pois, segundo pesquisa do Ibope (Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística), 47% dos brasileiros não sabem o que é depressão, mostrando desta forma, uma cultura já enraizada de negligência em relação a depressão na sociedade brasileira. Além disso, a depressão se não tratada pode causar consequências, como mostra um estudo publicado pelo periódico “The Lancet Psychiatry”, em que pessoas que sofrem de depressão por mais de uma década têm a estrutura de seu cérebro modificada negativamente.

Ademais, outro dado alarmante é que, segundo dados do sociólogo Julio Jacobo Waiselfisz, da faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais, com base em dados do Ministério da Saúde, constatou que em quinze anos (2000-2015), os suicídios cresceram 65% na faixa de 10 a 14 anos e 45% na de 15 a 19. Deste modo, o panorama é preocupante, pois, segundo a psicóloga Vera Ferrari Rego Barros, presidente do Departamento Científico de Saúde Mental da Sociedade de Pediatria de São Paulo (SPSP), os jovens estão mais vulneráveis a depressão, pois é nessa fase que se encontram varias adversidades, como, por exemplo, questões sobre sexualidade, dificuldade em lidar com frustrações, bullying, além de pressão pela escolha da carreira e por um bom desempenho escolar.

Portanto, é de extrema urgência que o governo, junto ao Ministério da Saúde tomem providências o quanto antes, como, por exemplo, palestras em sala de aula, que devem ser ministradas por médicos e psicólogos, buscando alertar crianças e adolescentes a identificar os sintomas da depressão e buscarem tratamento adequado. Outra medida advinda do mesmo Ministério seria com o uso de propagandas em tv, radio, jornais e na internet, utilizando médicos e outros profissionais da área da saúde, para ensinar a população sobre a doença, seus riscos a saúde, como identificar os sintomas e tratamentos, podendo deste modo, criar uma população mais consciente.