O aumento da depressão entre os jovens no Brasil
Enviada em 06/10/2019
O quadro “O Grito”, de Edvard Munch, retrata uma figura andrógina em um momento de profunda angústia e sofrimento, que reflete no seu olhar sobre o mundo. De maneira análoga à sociedade contemporânea, é evidente que impasses na prevenção e no cuidado dos transtornos emocionais se explicitam nos elevados índices de depressão e suicídio, seja tanto pela negligência governamental em relação à saúde pública voltada aos tratamentos quanto pelo preconceito enraizado na sociedade brasileira.
Em primeiro plano, é válido ressaltar que os distúrbios mentais, em especial a depressão, são os principais fatores para o suicídio, de acordo com a OMS. Dessa maneira, a ideologia foucaltiana revela que o cuidado do corpo e alma são intrínsecos e que os males do corpo-alma podem cambiar-se entre si. Nesse ínterim, é sepulcral a necessidade de psiquiatras disponíveis em larga escala para o tratamento eficaz de tais transtornos, a fim de diminuir, e consequentemente prevenir o agravamento da situação do paciente.
Ademais, é fato que o preconceito em relação às doenças mentais torna-se um imbróglio para o indivíduo que busca tratamento. Nesse âmbito, Shneidman, psicólogo americano, evidencia a necessidade de focalizar as emoções humanas com enfoque no acolhimento da ideação suicida por meio da identificação e redução de sua dor psicológica, afastando-se do preconceito. Logo, é fundamental que o prejulgamento seja atenuado, o que corroboraria na aceitação da doença pelo paciente e de seus familiares, auxiliando na identificação do distúrbio e em seu tratamento.
Infere-se, portanto, que medidas sejam tomadas a fim de solucionar a problemática supracitada. Nesse aspecto, é mister que o MEC, em parceria com o MS, atuem no ambiente escolar com a implementação de palestras com especialistas na área psíquica, com intuito no diagnóstico precoce de qualquer distúrbio e no fortalecimento do respeito mútuo e da empatia entre o contingente populacional. Só assim, será possível diminuir a incidência de pessoas que se identificam, dia a dia, com “O Grito”, de Munch.