O aumento da depressão entre os jovens no Brasil

Enviada em 07/10/2019

“Geração mal do século”. Essa denominação foi dada aos poetas que participaram da segunda fase do romantismo brasileiro, eram chamados assim por apresentarem em suas obras um profundo sofrimento,em que referiam-se, muitas vezes, ao suicídio como forma de escape desse mal estar. Essa angústia foi influenciada pelas mudanças que a sociedade do período vivia, como o crescimento da revolução industrial. Entretanto, essa onda de pessimismo e sofrimento ganha força entre os jovens da sociedade contemporânea. Assim, é necessário avaliar como as mudanças nas formas de interação social influenciam nessa crescente de pessimismo.

É preciso considerar, antes de tudo, o papel das mudanças nas relações interpessoais, na sociedade contemporânea, como um fator que favorece o aumento da depressão. De acordo com o sociólogo Zygmunt Bauman: “Vivemos tempos líquidos, nada é para durar”, ou seja, as pessoas não se conectam com as outra de forma fixa, o que impede a criação de relações sólidas e favorece a superficialidade. Nesse sentido, a adolescência, momento de grandes transformações na vida, é acompanhada de uma ausência de apoio emocional, o que favorece o surgimento de crises existências e  de casos depressivos.

Outrossim, cabe apontar as consequências geradas por esse novo modelo de sociedade. A partir da quebra das relações sólidas, as instituições sociais, locais de formação da personalidade, perdem força sobre o indivíduo, o que gera um estado de anomia, definido por Émile Durkheim como um desligamento com a sociedade. Durkheim realizou diversas pesquisas sobre o suicídio na Inglaterra do século XVIII e percebeu que a revolução industrial veio acompanhada com um aumento da taxa de suicídios, devido à falta de ligação das instituições sociais com os indivíduos nesse período.

Fica claro, portanto, a importância da tomada de ações na tentativa de reduzir a epidemia que é a depressão. Desse modo, o Ministério da Saúde deve promover eventos, em associação com faculdades de psicologia, que tenha como tema principal a depressão, de modo que os alunos dessas universidades tenham a oportunidade de atuar, dando palestras sobre essa doença, explicando as formas de combate e a necessidade de realizar o diagnóstico como um médico, para que as pessoas entendam a necessidade do combate a essa doença que, segundo a Organização Mundial da Saúde afeta 5,8% dos brasileiros, dados de 2017. Ademais, as empresas que gerenciam as redes sociais devem auxiliar no processo de construção de relações mais sólidas, retirando ferramentas que favorecem a superficialidade, como foi feito pelo instagram, que retirou as curtidas das fotos. Somente assim, será possível afastar as comparações da geração atual com a mal do século.