O aumento da depressão entre os jovens no Brasil
Enviada em 18/07/2019
Em “O alienista”, obra escrita por Machado de Assis, o protagonista, Dr. Bacamarte, afirma: " a loucura, objeto dos meus estudos, era até agora uma ilha perdida no oceano da razão, começo a suspeitar que é continente". Fora da ficção, a depressão - antigamente denominada de loucura - cresce de forma desenfreada. Nesse cenário, a ditadura da felicidade em que vive-se atualmente e o descaso governamental na contenção dessa mazela, atuam como agente propulsor do tema. Destarte, faz-se pertinente debater acerca dessa problemática.
A priori, é imperioso destacar que, Émile Durkheim expõe que o suicídio é resultado do meio que circunda o ser, sendo potencializado pelo tabu e pelos esteriótipos associados à questão. Sob essa ótica, nota-se, na atualidade, uma ditadura da felicidade, na qual sentimentos humanos primários como a angústia e a tristeza são repelidos, o que reflete o desinteresse da comunidade médica em discutir e tratar essa doença. fato que contribui para o silenciamento do assunto e ocasiona obstáculos ao processo de prevenção da depressão entre a população do país. Portanto, a visão compartilhada de que ela é motivo de vergonha ou condenação, comprova a ausência de laços e redes capazes de proporcionar acolhimento ao sujeito e a sua aflição.
Outrossim, é valido ressaltar que, de acordo com Bismark, a política é a arte do possível. Com base nessa afirmação, de forma análoga, pode-se dizer que é papel do governo criar políticas públicas de prevenção a depressão, entretanto, muitas vezes ele a negligencia. Desse modo, segundo o Ministério da Saúde, estima-se que 90% das pessoas que colocam fim à própria vida tenham algum transtorno mental, principalmente transtornos do humor (depressão e transtorno bipolar), esse dado é preocupante e mostra o quanto essa doença merece atenção. Dessa maneira, é essencial um olhar empático para essa grande parcela da população e programas eficazes para alcança-los, a fim de que casos como esse não venham a acontecer.
Diante desse panorama, faz-se imprescindível a tomada de medidas ao entrave abordado. Para tanto cabe ao poder midiático promover a desmistificação, por meio de novelas, séries e documentários, os quais retratem, de maneira fidedigna, a seriedade da depressão, com o intuito de reduzir os estereótipos e o silêncio em relação ao assunto a fim de estimular a comunidade a procurar auxílio médico. Ademais, é mister que o Governo juntamente com o Ministério da Saúde crie centros de valorização a vida em cada cidade e que os profissionais sejam treinados para fornecer o suporte necessário ao paciente, de forma dinâmica, através de peças de teatro e rodas de debate, com o intuito de fornecer alegria. Espera-se, com isso, que o pensamento de Bacamarte se restrinja a ficção.