O aumento da depressão entre os jovens no Brasil
Enviada em 15/07/2019
A expressão “mal do século”, do Francês Chateaubriand, foi utilizada nos textos da segunda geração do romantismo brasileiro para fazer referência à depressão, às angústias e às crises existenciais dos autores românticos da época. Analogamente, no Brasil, constata-se um aumento considerável de depressividade entre a população jovem, que se encontra em idade de cada vez maior pressão social por responsabilidades, além de ter em vista a repressão por estereótipos, por parte dos familiares, que atrapalham no processo de diagnóstico e tratamento da doença.
A princípio, é fato que na sociedade mundial, a medida em que avança nos ramos econômicos e tecnológicos, se insere no que o sociólogo Zygmunt Bauman denomina de “modernidade líquida”, que se refere à uma civilização superficial de relações e sentimentos, essa sucumbida à agilidade e mecanização do homem. Com base nesse conceito, é visto que na presente época, no território nacional, o jovem é “bombardeado” de pressões psicológicas para cumprir um elevado número de responsabilidades, as quais geram a atencipação da fase adulta e, consequentemente, levam a esse decepção e frustração ao abrir mão da fase natural em que lhe era devido. Dessa maneira, a camada juvenil caminha em sentido ao descontentamento com sua realidade, o que provoca o aumento no número de vítimas da doença do século XXI.
Ademais, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), de 2019, o Brasil é o país depressivo da América Latina, e o número de eventos ultrapassa 11 milhões de cidadãos. Para além dos números, percebe-se também que, além de lutar contra a doença, a gama populacional mais nova também necessita buscar a superação de preconceitos que mistificam a doença e a torna impotente no olhos civis, os chamados estereótipos. Exemplo disso é na instituição social mais próxima das vítimas, isto é, a família, que observa sintomas da depressão e os confundem com a atuação de “hormônios da idade” no corpo do indivíduo, o que retarda o diagnóstico e, inevitavelmente, seu tratamento com profissionais. Sendo assim, nota-se maior intensificação de uma juventude depressiva, agravada ainda mais pela ausência de auxílio para a superação do problema na contemporaniedade.
É mister, portanto, que o Governo Federal, juntamente como o Ministério da Educação, disponibilize incentivo financeiro a ONGs, por meio de verbas, para que essas promovam em centros de ensino (público e privado) palestras periódicas que conscientizem os familiares e jovens sobre os sintomas da depressão, como proceder ao disgnóstico e aos tratamentos, além de mostrar ao núcleo familal os perigos de negligenciar a doença — em horários que não interfiram no calendário de aulas das instituições e sejam acessíveis a todos — a fim de minimizar os impactos da modernidade líquida civil.