O aumento da depressão entre os jovens no Brasil
Enviada em 06/07/2019
Segundo o pensamento de Freud, criador da psicanálise, não é possível o ser humano desvencilhar- -se do contexto sociocultural no qual está inserido. Nesse sentido, fatores sociais podem comprometer o equilíbrio emocional do indivíduo, o qual é inseparável da estrutura social da qual faz parte. Desse modo, o aumento da depressão entre os jovens brasileiros deve ser compreendido como reflexo de questões características da “modernidade líquida”, notadamente, as tensões da contemporaneidade e a fragilidade emocional causadas pelo apelo ao consumismo.
Inicialmente, é relevante esclarecer o conceito de “modernidade líquida” do sociólogo Brauman o qual usa a metáfora “liquidez” para referir-se à instabilidade que permeia vários aspectos da sociedade atual, em que nada é para durar, como: insegurança no mercado de trabalho, desintegração familiar, vínculos afetivos pouco duradouros e incertezas econômicas. Todo esse panorama de insegurança e tensões, no qual tudo é imprevisível, deixa o jovem brasileiro mais suscetível a psicopatologias como a depressão. Segundo o referido pensador: “Vivemos tempos de secreta angústia”, por essa razão, a doença cresceu mais de 18% nos últimos dez anos, segundo dados da Organização Mundial de Saúde.
Além disso, está a questão da supervalorização do consumo e seus efeitos negativos à saúde mental dos jovens. Na sociedade contemporânea, principalmente, entre os mais jovens, o consumismo é imposto como condição para atingir a felicidade, a satisfação e o reconhecimento social entre eles, em detrimento de valores como solidariedade, amizade, fraternidade, importantes para a paz de espírito. Para o sociólogo Braudrillard, o consumo transformou-se na moral do mundo atual. Logo, tudo isso acaba por contribuir para o vazio existencial da juventude no Brasil, tornando-os mais propensos a quadros depressivos, muitas vezes, irreversíveis.
Evidencia-se, portanto que o aumento da depressão entre os jovens brasileiros é resultado de aspectos sociais que envolvem a chamada “modernidade líquida”, bem como as tensões da contemporaneidade. Dessa forma, é necessário que as escolas, como formadoras de cidadãos críticos, preparem a juventude brasileira para lidar com a instabilidade dessa modernidade e com o apelo ao consumismo. Isso deve ocorrer, preferencialmente, com projetos educativos que envolvam as disciplinas de sociologia e filosofia, por serem as mais apropriadas para tal. Assim, meninos e meninas brasileiros se tornarão menos propensos a episódios depressivos.