O aumento da depressão entre os jovens no Brasil

Enviada em 05/08/2018

A pintura expressionista “O Grito”, de Edvard Munch, representa por meio de uma figura andrógena, as angústias sociais. Hodiernamente, no Brasil, essas angústias podem ser relacionadas ao aumento do estresse, ansiedade e depressão. Isso acontece porque, o narcisismo social que é caracterizado por um padrão geral de grandiosidade, necessidade de admiração e à busca fanática pelo sucesso pessoal e o dinheiro, tem se tornado o novo mal dominante. Diante disso, esses sentimentos passaram a ser considerados doenças pela Organização Mundial de Saúde (OMS). Logo, é necessário debater sobre as causas e consequências dessas doenças na vida moderna.

Em uma primeira análise, é válido ressaltar que a sociedade contemporânea atingiu um status de competição dentro de si mesma; em outras palavras, o que antes configurava-se como uma saudável ultrapassagem dos nossos próprios limites agora tornou-se uma excessiva necessidade de se transformar no melhor, no inalcançável, no perfeito. Em defesa dessa assertiva, cabe citar o documentário “Take Your Pills”  que busca analisar como a liquidez das comunidades dos dias atuais cedeu a um ciclo vicioso onde os hábeis e capazes são descartados como objetos para dar lugar aos gênios-mirins e aos superdotados. Em consequência disso, é ocasionada uma camada de preocupação aos consumidores de remédios e medicamentos para tratamento de distúrbios psicológicos e mentais o que pode levar, futuramente, a dependência a essas drogas.

Além disso, o filósofo italiano Norberto Bobbio afirma que a dignidade humana é uma qualidade intrínseca ao homem, capaz de lhe dar direito ao respeito e à consideração por parte do Estado. Nessa lógica, é notável que o poder público não cumpre o seu papel enquanto agente fornecedor de direitos mínimos, uma vez que não proporciona as pessoas com depressão e ansiedade o atendimento médico ou psicológico com qualidade, o que caracteriza um desrespeito descomunal com esse público. A lamentável condição de vulnerabilidade à qual são submetidos os doentes psíquicos é percebida no déficit deixado pelo sistema de saúde vigente no país, que revela um despreparo do SUS no que tange à inclusão dessa camada, de modo a causar entraves à melhora desses indivíduos.

Diante do exposto, cabe às instituições de ensino com proatividade  o papel de deliberar acerca dessa limitação em palestras elucidativas por meio de dados estatísticos e depoimentos de pessoas envolvidas com o tema, para que a sociedade civil, não seja complacente com a cultura do tabu sobre o assunto. Por fim, cabe ao Poder Público, fortalecer as políticas estaduais para enfrentamento dessas doenças, estendendo as ações do CAPS e capacitando os profissionais das redes públicas de saúde  e de assistência social, a fim de formar multiplicadores em prevenção dos transtornos mentais.