O aumento da depressão entre os jovens no Brasil

Enviada em 02/08/2018

A sociedade brasileira contemporânea enfrenta a problemática do aumento no número de casos de depressão, principalmente entre jovens e adolescentes. Com efeito, é possível relacionar a incidência dessa patologia além do âmbito psicológico, inserindo-o no meio social, de forma que a crescente tendência consumista da população, aliada ao preconceito e ao tabu sobre a doença, corroboram para o aumento do suicídio e outros problemas psicossociais.

Segundo o sociólogo francês Émile Durkheim, o suicídio, consequência final do quadro depressivo, é um fato social, pois está diretamente ligado ao momento histórico, cultural e econômico da sociedade. Dessa forma, ele é acompanhado por diferentes causas e motivações entre si nas diversas comunidades existentes. Como exemplo à essa perspectiva, pode-se citar a onda de suicídios ocorrida durante o século XVIII, após a publicação do romance “Os sofrimentos do jovem Werther”, de Goethe, e ao longo do ano de 1929 ,após a quebra da bolsa de valores de Nova York , sendo os dois fatos impulsionados por fatores culturais e econômicos, respectivamente.

Outrossim, a coisificação do homem vivenciada na sociedade atual e a abordagem preconceituosa da doença, tratada no Brasil como um tabu, auxiliam no aumento do número de casos de depressão. Consoante a isso, a valorização do consumo na era da globalização e a propaganda difundida nos meios de comunicação sobre um padrão de vida ideal tornam o homem contemporâneo o produto daquilo que ele consome, sendo valorizado marcas de produtos e serviços, status social, emprego e a aparência estética. Destarte, quando tais valores não são alcançados, quer seja por motivos econômicos ou de relacionamento com o meio, há um aumento dessa patologia, principalmente entre os mais jovens, pelo fato dessa parcela social não saber lidar com frustrações, tornando a doença letal e epidêmica quando é aliada ao preconceito.

Portanto, medidas são necessárias para combater o aumento no número de casos de depressão no Brasil. Em primeiro plano, deve haver a participação conjunta da família com o meio escolar no intuito de formar valores na juventude que prezem não pela aparência e pelo status, mas sim voltados para o altruísmo e a saúde, tanto psicológica quanto física. Além disso, deve o Ministério da Saúde promover atendimento especializado para os doentes, visando atender a população com profissionais capacitados na área e voltados para a prevenção do suicídio. Por fim, deve a mídia organizar campanhas que visem identificar características sintomáticas, propondo tratamento médico, de forma a combater o preconceito, para que a depressão não seja mais tratada como tabu.