O aumento da depressão entre os jovens no Brasil
Enviada em 26/07/2018
Pedras do Regresso
“Nunca me esquecerei desse acontecimento, na vida de minhas retinas tão fatigadas. Nunca me esquecerei que no meio do caminho tinha uma pedra”. Disse Carlos Drummond, um dos principais poetas do Modernismo brasileiro em sua obra No Meio do Caminho, que aborda sobre os obstáculos que permeavam um viver exaustivo. Nesse viés, infere-se que no contexto brasileiro atual, os casos de depressão entre os jovens são empecilhos que fatigam a sociedade, sendo movidos pela indiferença e intolerância da nação verde e amarela, fatores que impedem o avanço nacional nesse quesito.
Convém ressaltar, a princípio, que grande parte dos cidadãos não reconhecem esse transtorno psiquiátrico como uma patologia e não dão a devida importância ao problema vigente. Mediante dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), 300 milhões de pessoas vivem com depressão. Fator esse que é impulsionado pela falta de apoio ao indivíduo, em que os sintomas da doenças são julgados como falta de disposição ou indolência comuns na juventude, ao ponto de não impedir esse mal desde seu início. Dessarte, a medida em que o corpo social continuar a caracterizar a depressão como uma “fragilidade” passageira, os casos se perpetuarão.
Em segunda instância, vale ressaltar que o preconceito pode ser causador da doença. Isso, em consonância com uma pesquisa do Instituto de Ciências Médicas da Unicamp, que constatou que homossexuais têm tendência maior a desenvolver transtornos mentais em relação a jovens heterossexuais, permite afirmar que a discriminação é um fator de risco para o aumento desses casos. Isso porque a ideia de não se encaixar nos padrões tradicionais pode levar a um quadro de isolamento, já que a aceitação é vista como algo imprescindível para um indivíduo em formação crítica entre a faixa etária de 15 a 20 anos, que segundo o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), é a fase mais visível de auto-crítica.
Urge, portanto, a necessidade de alteração desse cenário preocupante. Dessa forma, cabe ao Ministério da Educação, juntamente com as escolas, a criação de uma feira anual no dia 7 de abril (dia mundial da saúde), com a presença de psiquiatras que demonstrem aos presentes, que a depressão é de fato uma doença psicológica que deve ser combatida, apresentando os sintomas e principais causas, para que todos estejam atentos aos sinais dela. Ademais, é dever da mídia divulgar essa feira nas redes televisivas, atentando a população ao fato que a intolerância é um dos motivos que podem levar ao transtorno, para que consequencias do tipo sejam contidas. Assim, as incidências da depressão seriam reduzidas e a nação progrediria, longe do pessimismo da Era Moderna.