O aumento da depressão entre os jovens no Brasil

Enviada em 08/07/2018

A Constituição Federal de 1988- principal arcabouço jurídico brasileiro- ratifica a saúde como direito fundamental.Hodiernamente, tal norma não encontra plena efetivação no Brasil, a julgar pela inabilidade da sociedade em mitigar o avanço dos casos de depressão, o que revela uma fragilização da cidadania. Nesse sentido, é válido analisar como a continuidade do preconceito e a negligência governamental contribuem para perpetuação dessa problemática.

Decerto, a visão discriminatória acerca dessa enfermidade representa um dos principais fatores impeditivos para o combate. A esse respeito, a filósofa Hannah Arendt utilizou-se da expressão “banalidade do mal” para defender a tese de que a maldade é possível a qualquer ser humano. De maneira análoga, a falta de compreensão sobre o sofrimento do indivíduo com transtorno depressivo possui raízes históricas em uma formação cultural de estigmatização e indiferença aos problemas de saúde mental. Destarte, a ausência de empatia, por parte de uma parcela significativa da coletividade, diante da depressão ilustra o pensamento de Arendt.

De outra parte, a indiligência estatal corrobora a permanência desse quadro desanimador. Com efeito, a concentração dos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS)- responsáveis pelo tratamento da patologia depressiva- nos grandes centros urbanos, associado a deficit infraestruturais e a insuficiência de profissionais dificultam a garantia de um direito inalienável: a saúde. Sob esse viés, o filósofo francês Michel Foucalt teorizava sobre a responsabilidade do Estado em maximizar o bem-estar do corpo social. Entretanto, a atual conjuntura de crescimento dos índices de tal doença demonstra um distanciamento do Poder Público do ideário foucaltiano.

Fica evidente, portanto, a necessidade de retificar os entraves não coadunantes com os preceitos da Carta Magna. Para isso, convém ao Ministério da Saúde promover campanhas de esclarecimento da população, por meio de peças publicitárias que divulguem regularmente em televisão aberta, rádio e redes sociais informações sobre a depressão, ressaltando a forma adequada de lidar com o doente e orientando quanto a importância de buscar ajuda médica. Paralelamente, o Governo Federal precisa aumentar o investimento na ampliação de unidades dos CAPS em áreas sem cobertura desse órgão, vide aval do Congresso Nacional, que permita oferecer intervenção terapêutica adequada aos doentes. Almeja-se, com essas propostas, desconstruir o preconceito e assegurar a cidadania . Assim, o país fará jus à denominação de Estado Democrático de Direito.