O aumento da depressão entre os jovens no Brasil
Enviada em 08/07/2018
Considerada pela Organização Mundial da Saúde como doença mais incapacitante no mundo até 2020, a depressão é um mal que atinge pessoas das mais diversas faixas etárias. Apresentando causas que podem variar quanto à idade do doente, casos de depressão entre jovens e adolescentes tem ganhado notoriedade no Brasil. Nesse contexto, deve-se analisar como a negligência familiar e uma fluidez das relações sociais contemporâneas atuam na problemática em questão.
A priori, deve-se analisar como uma infância e adolescência negligenciadas atuam sobre a problemática. Sigmund Freud, criador da psicanalise, atribui à infância como o período de formação da personalidade humana. Nesse contexto, é correto afirmar que excessos de cobranças ou proteção exacerbada durante esse momento de formação psíquica podem causar traumas que serão refletidos no futuro. Quando uma criança é superprotegida por seus pais, por exemplo, ela não aprende a lidar com as frustrações que a juventude e a vida adulta lhe proporcionarão, podendo levar, esse indivíduo ao sofrimento interno e questionamento de suas capacidades, podendo ocasionar a depressão.
Zygmunt Bauman, sociólogo e filósofo polonês, ao afirmar em sua coletânea que estamos vivendo tempos de amores fluídos, demonstra que as relações entre pessoas na contemporaneidade não assumem profundidade, tornando-se interações baseadas em interesses e muitas vezes mascaradas de forma a assumirem aspectos mais agradáveis que fogem da realidade. Essa fuga pelo real, intensificada nas redes sociais principalmente, causa no jovem a idealização de um padrão de vida de extrema prosperidade e felicidade que na maioria das vezes é inalcançável. A frustração por não atingir essa meta de vida pré estabelecida, pode causar nesse jovem uma intensa tristeza e sentimento de culpa responsáveis por desencadear a depressão.
Torna-se evidente, portanto, que uma infância de exageros aliada à efemeridade das relações sociais são fatores que contribuem para a incidência de casos de depressão entre jovens no Brasil. Nesse contexto, cabe às secretarias municipais de educação em parceria com responsáveis por alunos dos ensinos fundamentais a criação de grupos de discussão com psicólogos e pedagogos sobre a criação de crianças e adolescentes, visando, dessa forma, a formação de jovens mais conscientes e preparados quanto aos desafios da vida. Cabe às universidades em consonância com as secretarias estaduais de educação, a ministração de palestras por psicólogos e sociólogos, sobre como lidar com as redes sociais e seus produtos, provocando, assim, maior conscientização sobre a vida real e buscando diminuir casos de depressão por frustração.