O aumento da depressão entre os jovens no Brasil

Enviada em 08/07/2018

Segundo o filósofo francês Gilles Lipovetsky, a sociabilidade contemporânea é marcada pela hiperindividualização, situação em que o indivíduo nega as instituições coletivas, como a religião e a família, e passa a viver em um universo extremamente individualista em que as relações sociais são fragilizadas e há um recuo no sentimento de inclusão. Hoje, os casos de depressão entre os jovens têm crescido exponencialmente, seja pela fluidez das relações sociais no século XXI, seja pelas pressões e expectativas criadas socialmente.

A princípio, a depressão constitui uma doença comum em todo o mundo e pode levar a um grande sofrimento e disfunções no trabalho, na escola ou no meio familiar e, se não for tratada, muitas vezes culmina em suicídio. A cada ano, devido aos baixos níveis de informação sobre a doença e meios tratamento para depressão e ansiedade levam inúmeros jovens a atentar contra a própria vida, além disso o estigma social do depressivo como uma pessoa fraca, dramática e infeliz, o que passa a ideia de que ela escolheu ficar assim e só depende da própria vontade para sair de tal quadro, impede que muitos busquem ajuda profissional e então a depressão é neglicenciada tanto pela sociedade quanto pela vítima.

Ademais, a juventude constitui uma fase de grandes e importantes mudanças, o que muitas vezes gera uma pressão excessiva sobre o jovem. A cobrança por bons desempenhos na escola ou na faculdade, exigências familiares e o cyberbullying podem ser alguns dos vilões. Somado a isso, segundo Miguel Boarati, coordenador do Ambulatório de Transtornos Afetivos na Infância e Adolescência do Hospital das Clínicas de São Paulo, as garotas são ainda mais afetadas em virtude de questões hormonais e culturais; o próprio padrão de beleza atual e as exigências por trás dele exercem uma forte influência nessa questão.

Dessa forma, cabe à mídia desenvolver campanhas em rede nacional, com a participação de psicólogos e psiquiatras para discutirem os mecanismos e sintomas da doença, mostrar o quanto é uma doença séria e requer tratamento especializado, a fim de esclarecer os jovens e a população em geral da seriedade do assunto. Além disso, o Ministério da Saúde deve destinar mais verbas para o Sistema de Saúde (SUS) oferecer uma maior disponibilidade de profissionais para atender à população além de criar clínicas especializadas no combate à depressão. Talvez assim a liquidez das relações sociais será combatida e uma sociedade mais empática será constituída.