O aumento da depressão entre os jovens no Brasil

Enviada em 07/07/2018

Mal do Século

A segunda geração do Romantismo brasileiro, ao utilizar um eu-lírico pessimista e melancólico, ficou conhecida como “Mal do Século”. Entretanto, em pleno século XXI, esse termo foi atribuído a um transtorno do humor, popularmente conhecido como depressão, que vem acometendo muitos jovens brasileiros.  Tal questão merece zelo, pois se trata de uma doença estigmatizada que pode causar a morte.

Mormente, vale ressaltar que embora o 2º levantamento Nacional de Álcool e Drogas tenha constatado que 21% dos brasileiros, entre 14 e 25 anos, têm sintomas que indicam a enfermidade, muitos cidadãos a julgam como uma “tristeza momentânea” ou “falta de fé”. Na Hipermodernidade, cultura dos excessos no dizer de Lipovetsky, tal postura pode ser confirmada por páginas do Facebook, como a “graduação da depressão”, que banalizam o tema na rede social. Essa mesma perspectiva esteve presente na Idade Média, visto que os transtornos psiquiátricos eram considerados um castigo de Deus. Logo, conforme disse Cazuza, o futuro repetindo o passado.

Outro ponto preocupante é que o transtorno depressivo pode levar ao suicídio, pois de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS) a cada 100 pessoas com a moléstia, 15 tentam se matar. Diante disso, a OMS lançou em 2017 a campanha “Vamos Conversar” para conscientizar à população que esse problema pode ser evitado e solucionado.

Em suma, a depressão ainda é vista como uma “frescura” e prejudica muitos jovens. A fim de que essa caótica questão seja elucidada, é mister que o Estado a considere um problema de saúde pública e informe a sociedade sobre como se prevenir e tratar. Para que isso ocorra, torna-se imperativo que: o Ministério da Saúde crie cartazes educativos para expor o assunto em unidades de atenção básica, escolas capacitem os educadores e façam atividades em grupo com os pais e alunos para que esses aprendam a diferenciar tristeza de sintomas depressivos e mídia debata o tema, por meio de psicólogos e psiquiatras, para esclarecer a população sobre a necessidade de buscar ajuda profissional e aderir à psicoterapia e ao tratamento farmacológico de forma consciente. Assim, os brasileiros terão uma boas condição mental e a melancolia ficará apenas nos romances byronianos.