O aumento da depressão entre os jovens no Brasil

Enviada em 07/07/2018

Considerado um dos principais sociólogos modernistas, Émile Durkheim, comparava a sociedade atual a um “corpo biológico” por ser, assim como esse, composta por partes que interagem entre si. Desse modo, para que esse organismo esteja em equilíbrio, torna-se necessário que todos os direitos dos cidadãos sejam garantidos. Entretanto, quando se observa o aumento da depressão entre jovens no Brasil, percebe-se que há um desequilíbrio. Logo, surge a problemática da depressão no país, seja por uma passividade governamental, seja por um lenta mudança de atitude social.

Em primeira análise, vale ressaltar que a questão Constitucional está intrinsecamente ligada ao problema. Conforme Aristóteles, a política deve ser utilizada de modo que, pela justiça, o equilíbrio seja alcançado. De maneira análoga, a ausência de leis que tratem a depressão como caso de saúde pública, quebra essa harmonia aristotélica. Embora se saiba que há causas fisiológicas e marcadores biológicos que auxiliam no diagnóstico precoce, a ausência de medidas profiláticas contribui para o alastramento da doença. Tal conjuntura fomenta para do dado, segundo o BMC, que torna o Brasil um dos países mais deprimidos no mundo, ficando atrás somente da França e EUA. Outrossim, mesmo após o diagnóstico, a falta de núcleos de apoio público para o tratamento, tem como conseqüência a cronicidade da doença.

Ademais, percebe-se que o problema está longe de ser resolvido. Desde a Segunda fase do modernismo (séc. XIX), a resposta aos dilemas cotidianos eram expostos por meio de melancolia e baixa auto estima; atualmente, mediante aos impasses rotineiros, muitos jovens acabam sendo levados por esse caminho. Destarte, os sintomas dessa fatia demográfica são considerados normais, ou até mesmo menosprezados pela sociedade, contribuindo para a não procura psicológica. Nesse âmbito, baseado na teoria machadiana, no qual o homem é um ser caído inapto à mudança, adiciona-se aos fatores supracitados caracteres inatos, logo atemporais e tendentes a permanência.

Portanto, medidas devem ser tomadas. Cabe ao Poder Legislativo criar leis que tornem a depressão como caso de saúde pública, criando, em parceria com o Ministério da Saúde, campanhas profiláticas, como entrevistas por psicólogos a comunidade, a fim de diagnosticar precocemente. Além de criar núcleos de atendimento, modelo SUS, em Clínicas da Família, por profissionais qualificados. Cabe ao MEC realizar, em escolas públicas e privadas, palestras para pais e alunos, do fundamental ao médio, por psicólogos, a fim de auxiliar, a saber, lidar com problemas cotidianos e orientar quanto aos sinais da depressão. Logo, talvez com essas medidas, o “corpo biológico” encontre o equilíbrio e se sustente.