O aumento da depressão entre os jovens no Brasil

Enviada em 07/07/2018

No século XIX, na geração ultrarromântica, o autor Álvares de Azevedo recebeu destaque ao retratar em seus poemas temáticas como o culto o pessimismo, o sentimentalismo melancólico e a depressão. Essa, de forma análoga, está presente na sociedade atual e sua incidência entre os jovens cresce exacerbadamente o que representa um significativo entrave social. Nesse contexto, há dois fatores que precisam ser levados em consideração: as fragéis relações familiares e o papel da escola no processo.

Em uma  primeira análise, é válido salientar que a adolescência é um período transitório marcado por diversas transformações e cabe a família - pelos recursos afetivos - orientar os indivíduos diante dos seus obstáculos e dificuldades. Entretanto, segundo a concepção do sociólogo polonês Zigmunt Bauman de “Modernidade Líquida” as características predominantes hodiernamente são a efemeridade das relações sociais e os poucos vínculos estabelecidos. Sob tal ótica, a fragmentação familiar deixa o jovem emocionalmente desemparado e favorece o surgimento de doenças como a depressão, ficando evidente a necessidade de reforço dos laços para uma saudável passagem do período.

Outro aspecto a ser considerado representa a importância da abordagem do assunto na escola continuamente bem como sua participação no amparo psicológico dos estudantes. Embora exista um projeto de lei que visa tornar obrigatório a presença de profissionais especializados nas instituições ele ainda é apenas uma teoria mesmo que, de acordo com dados da Organização Mundial da Saúde, o Brasil seja o país com maior incidência da América Latina. Nesse âmbito, faz-se indispensável a concretização da legislação diante da gravidade da problemática.

A fim de que se reverta os altos índices da depressão, portanto, a Família e a Escola devem trabalhar em conjunto no fortalecimento dos vínculos com o jovem contando com o apoio de discussões com especialistas da área psicossocial que orientem como identificar os sintomas e a melhor forma de oferecer suporte para os adolescentes. Soma-se a isso, a atuação do Ministério da Justiça no andamento do projeto de lei já existente do tratamento especializado nas escolas através do conhecimento sobre a relevância da questão para a saúde mental dos indivíduos. Espera-se que, assim, o retrato da depressão fique apenas na literatura.