O aumento da depressão entre os jovens no Brasil

Enviada em 08/07/2018

No século XIX, o pessimismo e a dor existencial eram características do “mal-do-século”, termo atribuído à segunda fase do “Romantismo”, um movimento literário iniciado na Europa. Hoje, a depressão, uma doença psíquica que afeta a vitalidade do indivíduo, poderia ser considerada como o grande mal do século, uma vez que, milhões de pessoas por todo o mundo possuem a doença. No Brasil, o número de jovens com depressão tem aumentado, sendo a idealização veiculada nas mídias sociais e a pressão das responsabilidades como alguns dos fatores principais.

A série britânica “My Mad Fat Diary”, cuja personagem principal é uma garota com depressão pela dificuldade de aceitar o próprio corpo, mostra o quanto as questões de aparência podem afetar a vida dos jovens. Por ainda estarem em desenvolvimento físico e psicológico, os adolescentes são mais afetados por problemas de autoestima, o que faz com que a veiculação diária de vidas e corpos impostos como perfeitos, nas redes sociais, se torne perigosa. Dessa forma, a realidade idealizada construída no mundo virtual se torna um forte fator dos problemas de autoimagem entre jovens e, consequentemente, de depressão.

Ademais, a sociedade é cada vez mais intimidante quanto as questões acadêmicas. Além de passarem a vida escolar tendo que enfrentar as notas em boletins como definidoras de inteligência e um ensino mecanicista voltado a digerir a massiva carga curricular para prestar vestibular, o qual exige altas pontuações e dispõe de poucas vagas, os adolescentes se veem pressionados a escolherem uma profissão ainda muito cedo. Assim, com a pressão a que são expostos diariamente, os jovens estão cada vez mais estressados, com medo de falhar e desenvolvendo depressão, dando sentido à classificação brasileira de quinto país mais depressivo do mundo, atribuída pela OMS.

Portanto, a fim evitar o aumento dos casos de depressão entre os jovens brasileiros, é necessário que as escolas e psicólogos se associem para trabalhar a autoestima de crianças e adolescentes, mediante atividades que estimulem o amor próprio, como jogos e a realização de peças acerca do tema. Além disso, visando preservar a saúde mental dos jovens estudantes, é também essencial que haja apoio aos mesmos, por meio da disponibilidade de acompanhamento psicológico nos colégios e com o próprio suporte familiar, ficando claro que notas não definem inteligência e que tudo bem não estar preparado para decidir o futuro tão cedo.