O aumento da depressão entre os jovens no Brasil
Enviada em 06/07/2018
Durante a segunda fase do romantismo, a arte era totalmente voltada para um exacerbado sentimentalismo e pessimismo doentio como forma de escapar da realidade e dos problemas que assolavam a sociedade na época. Nessa perspectiva, atualmente, o Brasil apresenta um número crescente de casos de depressão, detectados principalmente durante a adolescência, que por muitas vezes configuram os casos de suicídio no país. Nesse contexto, deve-se analisar como a fragilidade das relações interpessoais e a falta de pertencimento dos jovens à sociedade contribuem para tal problemática e como combatê-la.
Em primeiro lugar, é imprescindível ressaltar como a fragilidade dos relacionamentos pessoais na contemporaneidade contribuem para a manutenção da depressão entre os jovens brasileiros. Parafraseando o sociólogo Zygmunt Bauman em sua teoria de modernidade líquida, os laços pessoais tornaram -se fluidos e sem importância em uma sociedade, na qual o individualismo tomou de conta da população. Dessa forma, até mesmo as relações familiares podem ser afetadas, já que em muitos lares não há diálogos e proximidade entre pais e filhos. Consequentemente, os jovens acabam não expondo suas angústias,sentem-se solitários e ficam mais vulneráveis à depressão, pois, segundo o sociólogo Talcott Parsons, a família é uma máquina que produz personalidades humanas.
Além disso, nota-se, ainda que muitos jovens desencadeiam o sentimento de inadequação social diante de uma sociedade composta de padrões sociais. Nesse sentido, insatisfações com a aparência, preconceito em relação á orientação sexual são alguns dos fatores que compõem um conjunto de frustrações na adolescência. Nessa perspectiva, conforme Émile Durkheim retrata no estudo do fato social, a coercitividade é a pressão da sociedade sobre os indivíduos, por consequência, traz o baixo grau de pertencimento do indivíduo com a sociedade. Portanto, o valor das forças sociais permanece indeterminado, causando sofrimento e, consequentemente o crescimento do suicídio, procedido pela depressão.
Torna-se evidente, portanto, a eminência em cessar a problemática. Em razão disso, o Ministério da saúde deve fornecer tratamentos psicológicos, inserindo um maior número de profissionais no sistema de saúde pública, a fim de solucionar mais casos de depressão na população. Paralelo à isso, as escolas devem implementar um programa de maior assistência aos jovens e projetos que incentivem a participação dos pais na vida de seus filhos, com o intuito de criar no adolescente a confiança para tratar de assuntos que lhe angustiam. E por fim, a mídia deve trabalhar em projetos que desconstruam os padrões sociais e estimulem o enfraquecimento do sentimento de exclusão na população.