O aumento da depressão entre os jovens no Brasil

Enviada em 08/07/2018

Durante a globalização, uma série de paradigmas foram quebrados e deram lugar a novos conceitos. Sendo assim, o panorama mundial sofreu mudanças políticas, econômicas, sociais e culturais. Com isso, novas maneiras de enxergar o mundo eclodiram. Diante disso, pode-se mencionar a ideia de padronização da vida perfeita e a inconstância das relações interpessoais. Nesse ínterim, os índices de depressão em jovens cresceram e vem aumentando. Por esse ângulo, vale ressaltar que em casos extremos, esse distúrbio pode gerar suicídios. Destarte, o transtorno gravíssimo tornou-se um fenômeno normalizado e silenciado na atualidade, o que é preocupante e precisa mudar.

De fato, o padrão de vida perfeita na hodiernidade baseia-se em corpos magros, bens materiais e boa condição financeira. Isso deve-se, principalmente, a eclosão da “sociedade de consumo”. Segundo Jean Baudrillard, a sociedade vigente é fundamentada no consumismo excessivo. Nessa perspectiva, a indústria contribuiu com a instituição padrões, visando sempre o lucro. Um exemplo disso é a imposição de que a magreza é sinônimo de beleza. Com isso, as pessoas pagam por tratamentos estéticos para emagrecer. Por conseguinte,os não se encaixam nos estereótipos sentem-se insuficientes e excluídos. Assim, surge a depressão, que agrava-se ao passo que as dificuldades transcendem a alma.

Outrossim, as relações interpessoais têm sido cada vez mais banalizadas e superficiais. Esse fenômeno pode ser explicado através do conceito de “modernidade líquida” de Zygmunt Bauman. Sob essa ótica, as relações sociais atuais diferem-se das que se estabeleceram na “modernidade sólida”. Nesse sentido, em tempos de outrora, os vínculos sociais eram mais rígidos. Já hoje em dia, em grande maioria, são instáveis e voláteis. Dessa maneira, a internet e a velocidade dos tempos modernos colaboram com esse cenário. Consequentemente, torna-se fatigante encontrar qualquer relacionamento sólido. Com isso, os indivíduos sentem-se solitários e tendem a desenvolver a depressão.

Portanto, é preciso extinguir a visão banalizada da depressão, garantindo a possibilidade de prevenção e recuperação da sociedade. Para tanto, no que tange aos ideais de perfeição, é de dever das mídias desenvolver projetos televisivos que desconstruam as padronizações. Assim, as pessoas passarão a ser mais autênticas e o número de depressivos será reduzido. Ademais, no que diz respeito à fragilidade das relações interpessoais, cabe ao Ministério da Educação inserir, na grade curricular do ensino médio, o ensino de habilidade de vida. Além do que, a presença de acompanhamento psicológico nas escolas é indispensável. Desse modo, o estudante será capaz de estabelecer laços emocionais que supram a necessidade do ser humano como ser social. Só assim, a sociedade futura terá menos transtornos psicológicos, como a depressão.