O aumento da depressão entre os jovens no Brasil

Enviada em 06/07/2018

Telefonando para a vida

A depressão é mais comum em momento de grandes transformações físicas, emocionais e hormonais no ser humano, como da infância para a adolescência diz Antônio Drauzio Varella, médico brasileiro. O crescimento dessa enfermidade entre os jovens no Brasil está relacionado às cobranças sobre o caminho e a decisão profissional, bem como, ao quadro de exacerbada desigualdade social. Assim, as metas para erradicar essa doença passam por desacelerar prevalência e assistir os pacientes já diagnosticados para que esses não findem suas vidas.

A cobrança social, primeiramente, no que se refere à decisão de escolha profissional e, ainda mais, de sucesso financeiro proporciona uma pressão aos jovens que não têm, na maioria das vezes, maturidade emocional para superar tal desafio. A conhecida geração “neném” (nem estuda, nem trabalha) se mostra falha e, aparentemente, incapaz de ultrapassar essa questão e sendo derrubada em uma enfermidade que é quarta que mais matou a faixa etária entre 15 e 29 anos, diz o Ministério da Saúde brasileiro, em 2015.

Além disso, quanto ao Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) o do Brasil é de 0,699 e com esse valor ocupa 73º no ranking, em 2018, mostrando que ainda há muito a se resolver e a questão mais inerente é a desigualdade social que corrobora para o aumento de depressão entre os jovens brasileiros. Esta falta de perspectiva favorece a incidência dessa enfermidade e, infelizmente, a posição do país no IDH, nos últimos anos, não tem tido mudanças significativas.

A redução da depressão no Brasil entre os jovens é alcançada, portanto, com práticas públicas de saúde com a atual gratuidade do telefone 188 ou 141 (nos estados da Bahia, Maranhão, Pará e Paraná) do Centro de Valorização da Vida de todo o país para garantir que os angustiados possam se comunicar com pessoas empenhadas ao cuidado. Outra medida, debater em seminários, financiados pelo Ministério da Saúde, com profissionais da área sobre essa doença e tudo que a engloba com o objetivo de propor medidas de combate como o setembro amarelo, que funciona como alerta das pessoas que se deparam com os pacientes. Ademais, as educações formal e informal devem valorizar características como coletividade e empatia em práticas escolares como em olimpíadas nacionais em equipe de Matemática e Soletração, com o objetivo para desmistificar a importância de decisão profissional antecipadamente e potencializar que a qualidade de vida é prioritária. Essas mesmas competições garantem que escolas periféricas e centrais, em ranking, possam participar e trocar cultura, e, nessa conjuntura, ultrapassando muros sociais.