O aumento da depressão entre os jovens no Brasil
Enviada em 08/07/2018
Isolamento, irritabilidade, rebeldia, melancolia. Esses elementos são características típicas na adolescência dos indivíduos, porém podem ser sintomas de depressão, reconhecida pelo Código Internacional de Doenças e considerada pela ONU principal causa de enfermidades entre jovens de 10 a 19 anos, o que evidencia a tendência de fomentar medidas preventivas a esse mal. No entanto, observa-se o oposto no Brasil: a carência de iniciativas as quais comprometam a perpetuação da doença entre os adolescentes devido, sobretudo, ao capitalismo e ao preconceito da sociedade a respeito do tema, constituindo desafios a serem rechaçados.
Primeiramente, quando Maria Rita Kehl enuncia a depressão como moléstia do capitalismo turbinado e globalizado, demonstra-se a grande influência desse sistema econômico no bem estar dos jovens. Considerando que o capitalismo se baseia no lucro, a lógica criada é de que o valor da vida se mede pela eficiência, na medida em que tempo é associado ao dinheiro. Nessa perspectiva, os pais imprimem na educação das crianças tal ideologia, o que acarreta excesso de pressão nos jovens desde cedo. Nesse sentido, os adolescentes crescem com receio do que o futuro pode-lhes reservar, caso diminuem o desempenho escolar. Isso é observado nos casos de suicídios de graduandos de medicina por não saberem lidar com o desempenho na faculdade. Dessa maneira, a concepção de tempo acelerado compromete a saúde mental dos jovens e aumenta os índices de depressão nessa faixa etária.
Além disso, segundo Durkheim, a sociedade é submissa a certos padrões culturais que são universais e imperativos, chamados de consciência coletiva. Isso ilustra que conceitos sociais pré estabelecidos acerca da depressão, como “frescura”, intensifica os índices da doença, já que tal pensamento está enraizado no brasileiro. Nessa direção, debater sobre esse assunto vira tabu, implicando nos jovens evasão escolar, abuso de álcool, suicídio e uso indiscriminado de medicamentos, haja vista os dados do 2º Levantamento de Álcool e Drogas feitos pela Unesp, apontando sintomas indicativos da depressão em 21% dos adolescentes. Dessa forma, é necessário combater o preconceito no Brasil.
Fica claro, então, o mau prognóstico de ações visando a diminuição dos índices de depressão entre os jovens brasileiros. No propósito de minimizar tal problemática, os pais devem demonstrar mais disposição e interesse em ouvir os filhos, por meio de, pelo menos, uma refeição por dia com a família reunida, porque, assim, ficará mais fácil observar se o adolescente passa por complicações. Ademais, as escolas podem difundir os fatores que envolvem a depressão por meio da assistência aos alunos de psiquiatras e psicólogos, bem como a promoção de debates, pois se conscientizarão da gravidade da doença. Outrossim, a tendência é saúde mental dos jovens brasileiros.