O aumento da depressão entre os jovens no Brasil
Enviada em 08/07/2018
A Constituição Federal de 1988 - promulgada no governo de José Sarney - assegura a todos a paz e o bem-estar. Todavia, o crescimento nos casos de depressão revelam que os cidadãos brasileiros ainda não experimentam esse direito na prática. Dessa maneira, é importante esclarecer e perceber que a fragilidade das relações sociais, oriundas do pensamento contemporâneo capitalista e a romantização dessa problemática são fatores relevantes que colaboram para um aumento de transtornos mentais no Brasil.
Em primeiro plano, um fator condicionante ao desenvolvimento da depressão nos jovens brasileiros é a fluidez das relações interpessoais. Nesse contexto, em “Modernidade Líquida”, o sociólogo polonês Zygmunt Bauman afirma que a lógica hipercapitalista - evidenciada por uma busca de ascensão particular e pela revolução tecnológica nos meios de comunicação - tornou as relações sociais fluidas. Assim, contatos são perdidos e o egocentrismo e o individualismo humano tornam-se alheios à preocupação com outro. Portanto, com um maior distanciamento entre os cidadãos brasileiros, relações afetivas, diálogos e momentos de lazer com parentes e amigos, de fundamental importância para a saúde mental, são inferiorizados, contribuindo para o crescimento da depressão.
Outrossim, ainda persiste a cultura de preconceito acerca da depressão. A esse respeito, a geração ultrarromântica, cujo principal expoente foi Álvares de Azevedo, associava humor fúnebre e fuga pela morte ao fazer poético e à emoção do indivíduo. Ocorre que essa romantização da tristeza extrema e do suicídio se enraizou no Brasil, de modo que os sintomas da depressão também passam a ser romantizados e motivam a população a considerar a doença como fraqueza de caráter e problemas meramente emocionais. Frente a essa situação, os doentes possuem seus quadros agravados, tendo em vista que perdem o apoio social.
Destarte, a romantização da tristeza e a fluidez das interações sociais são os principais expoentes no crescimento da depressão no Brasil. Logo, cabe aos indivíduos realizarem debates por intermédio das redes sociais, com vistas à desconstrução de preconceitos acerca dessa psicopatologia. Ao Ministério da Saúde, em parceira com instituições educacionais, implantar campanhas em escolas e empresas, a fim de demonstrar a importância do apoio de amigos e familiares no tratamento da doença. Em suma, os casos de transtorno mental diminuiriam e os brasileiros teriam, na prática a paz e o bem-estar assegurados.