O aumento da depressão entre os jovens no Brasil

Enviada em 07/07/2018

Durante o século XVIII, a segunda fase do romantismo se estabeleceu a partir de obras pessimistas, com personagens melancólicos e a constante idealização da morte, objetivando a fuga da realidade e dos problemas. Fora do contexto literário, hodiernamente, o Brasil enfrenta um crescimento acelerado no que tange aos casos de depressão entre os jovens. Seja pela fragilidade encontrada nas relações interpessoais ou pela falta de pertencimento a grupos e padrões sociais, a problemática instala-se.

Segundo dados da Organização Mundial da Saúde -OMS-, o número de quadros depressivos cresceu 705% em 100 anos, principalmente entre os jovens. Tal fato pode ser constatado através das instabilidades presentes nas relações interpessoais, visto que de acordo com a teoria da modernidade líquida proposta pelo sociólogo Zygmunt Bauman, a sociedade vive um momento de substituição dos valores coletivos pelos valores individuais, onde as relações sociais podem ser desfeitas com muita facilidade, sendo priorizado unicamente o seu bem estar e o sentimento do próximo é ignorado. Consequentemente, a falta de diálogo, seja em convívios de amizade ou de família, bem como a não exposição de suas angústias pessoais, contribuem, significativamente, para a ocorrência de casos depressivos.

Convém ressaltar, também, que os padrões estruturados pela sociedade, por vezes, desencadeiam decepções perante o sentimento de inadequação social. Assim sendo, o bullying, o preconceito e a homofobia são alguns dos fatores que compõem um conjunto de problemáticas, principalmente entre os adolescentes, que se veem excluídos por não pertencerem aos padrões considerados corretos socialmente. Desse modo, é ratificada a intensa fragilidade desse grupos, contribuindo para o aparecimento de sintomas depressivos e pensamentos autodestrutivos, como a morte, pois de acordo com o mapa da violência de 2017, o número de suicídios entre jovens aumentou em 10% desde 2002.

Urge, portanto, a efetivação de medidas para impedir a continuidade dessa situação. Portanto, cabe à Secretaria de Educação, junto com o Ministério responsável, instituir nas escolas palestras elucidativas mediadas por psicólogos, a fim de que sejam discutidas as causas da doença e suas consequências, bem como conscientizar o jovem a agir de maneira empática com algum outro adolescente que passa por esse problema. Ademais, a Secretaria de Educação deve promover, ainda, consultas mensais dos alunos com psicólogos, para que possam tratar ou evitar uma futura depressão. Além disso, é necessário o apoio da mídia para com as ONG’s voltadas à essa causa, como o Centro de Valorização da Vida -CVV-, que auxiliam jovens que pretendem cometer suicídio, para isso, deve haver a divulgação em massa pela mídia por meio de comerciais televisivos, a fim de que vidas sejam salvas.