O aumento da depressão entre os jovens no Brasil
Enviada em 03/07/2018
Na primeira metade do século XVIII, durante a geração Mal do Século, a depressão profunda e os conflitos intrapessoais permeavam a percepção da realidade característica dos autores nas obras românticas. Esses distúrbios psicológicos, no entanto, transpassam os escritos literários e acometem cerca de 320 milhões de pessoas na atualidade, em sua maioria jovens entre 10 e 19 anos, segundo dados da OMS (Organização Mundial da Saúde). Dessa forma, é indiscutível a necessidade de disponibilizar à população um suporte informacional acerca das possíveis causas e consequências do transtorno depressivo maior.
Em primeira instância, a depressão é um distúrbio psíquico caracterizado pela perda total ou parcial do interesse pela vida, e que comumente incita alterações fisiológicas. Nos dias de hoje, esse transtorno é o que mais acomete jovens e adolescentes no Brasil, tendo como causas o uso de álcool e drogas, a perda de um ente querido ou o histórico médico familiar, por exemplo. Todavia, ainda há no país uma cultura que associa tratamentos psiquiátricos ou psicoterapêuticos a indivíduos psicóticos, que somada a falta de apoio da família, verificada em alguns casos, responde pelo elevado número de pacientes depressivos que não buscam profissionais de saúde especializados.
Outrossim, as relações estabelecidas no ambiente escolar e o desempenho obtido pelos estudantes são outros fatores que corroboram com o aumento no número de casos de jovens e adolescentes brasileiros acometidos pelo transtorno depressivo maior. Os indivíduos que experimentam baixo rendimento em avaliações e atividades, a sensação de desadaptação a determinados grupos e o bullying praticado por colegas de classe tendem a tornar-se mais vulneráveis ao desenvolvimento de distúrbios psicológicos. Além disso, a depressão é hoje uma das doenças menos compreendidas pela sociedade e costuma-se atribuir a culpa do problema ao doente, que por consequência não busca ajuda da família ou de professores.
Sendo assim, é inquestionável a necessidade de buscar mudanças que objetivem reduzir o número de indivíduos acometidos pela depressão. As Secretarias municipais de Saúde devem promover a realização de palestras, em espaços públicos das cidades brasileiras, que contem com a participação da sociedade civil e que disponibilizem informações acerca da importância de buscar ajuda profissional e do apoio da família diante de casos de transtorno depressivo maior. Além disso, o Ministério da Saúde, em parceria com as Secretarias de Educação, deve assegurar a presença de psicólogos nas escolas estaduais e municipais do país, proporcionando um possível diagnóstico de depressão e seu consequente tratamento.