O aumento da depressão entre os jovens no Brasil
Enviada em 03/07/2018
A Magna Carta brasileira, de 1988, garante o direito à vida, à igualdade e à liberdade. Todavia a prática deturpa a teoria, uma vez que os casos de depressão entre os jovens no Brasil aumentaram exponencialmente, em decorrência da falha estatal no que diz respeito à saúde e da falta de interação e preocupação social.
Antes de tudo, é necessário entender as causas que levaram o indivíduo a tal ponto, visto que a autoquíria não é algo repentino, é a última saída encontrada pela vítima, que não recebeu a devida assistência. Conforme Camilo Castelo Branco, há horas na vida em que a mais leve contrariedade toma as proporções de uma catástrofe. Dessa forma, é possível perceber que, no Brasil, a depressão está atrelada aos casos de suicídio, visto que o corpo social está dominado pela “ditadura da felicidade”, que culpa e estereotipa quem pratica o ato. Ademais, suicidar-se tornou-se um fenômeno normalizado e silenciado na atualidade, devido à pressão social em “ser feliz” e ao tabu vigente. Essa caótica realidade rompe com o artigo 6 da Constituição Federal, o qual afirma ser dever estatal garantir saúde aos cidadãos.
Somado a isso, tem-se o fato de que a sociedade atual, em detrimento da nova dinâmica urbana, é alheia, muitas vezes, aos problemas que podem afetar o outro. O chamado “liquidismo social”, teorizado pelo sociólogo Zygmunt Bauman, faz com que as relações tornem-se, cada vez mais, frágeis, de modo a distanciar as pessoas e, dessa forma, dificultando-se a identificação de uma possível depressão. Tudo isso retarda a resolução do empecilho, já que o diálogo- não romantizado- é uma das melhores maneiras de prevenção.
Diante desses impasses, é imprescindível que o Tribunal de Contas da União direcione capital que, por intermédio do Ministério da Saúde, será revertido em suporte para vítimas de distúrbios psiquiátricos que possam levar à depressão, através de centros de acolhimento que abrangem especialistas- como psicólogos e psiquiátricos -, a fim de diminuir os fatores que possam ocasionar tal pandemia. Paralelamente, cabe ao Ministério da Educação promover campanhas de conscientização, por meio de palestras ministradas por mestres e doutores em relações interpessoais, com o intuito de mostras aos cidadãos o quão importante e saudável são as boas relações de convivência.