O aumento da depressão entre os jovens no Brasil

Enviada em 02/07/2018

Segundo a Organização Mundial de Saúde, um indivíduo é caracterizado como saudável ao apresentar estado de equilíbrio entre o bem-estar físico, mental e social. Entretanto, apesar da existência de tal conceito, verifica-se na prática, a negligência do tratamento da depressão, bem como a perpetuação do estigma sofrido pelos portadores dessa doença.Nesse sentido, evidencia-se que o aumento das pressões socais sob os jovens, acrescido da falta de informação plena dos cidadãos, são fatores relevantes para o estudo da incidência alarmante de tal enfermidade nessa faixa etária.

Cabe ressaltar, em primeiro plano, que a ampliação das cobranças pessoais e sociais, marcadas pela busca instantânea e exacerbada por padrões culturais pré-estabelecidos,contribui para o desenvolvimento de sinais do quadro depressivo: frustração, ansiedade e medo.Dentro de tal perspectiva, analisa-se que o anseio por alcançar determinados objetivos,como por exemplo, conquistar uma vaga em uma universidade pública renomada, atrela-se,segundo o filósofo Theodor Adorno, aos valores ideológicos e identitários perpetuados pela Indústria Cultural,de modo a associar aquisições pessoais à obtenção de prestígio.Desse modo, parcela significativa dos jovens, por não construir tais vínculos de pertencimento,busca fugir da realidade vigente por meio do isolacionismo das redes sociais, tal como os poetas ultrarromânticos ansiaram através da morte.

Além de tal aspecto pessoal,destaca-se, ainda, que a falta de orientação assistida dos familiares dos pacientes,evidenciada pela ausência de conhecimento pleno sobre o tratamento e diagnóstico dessa enfermidade,pode acarretar a propagação da visão estigmatizada dos doentes. Sob essa ótica, observa-se que a caracterização desses jovens como inúteis e fracos ocorre devido ao despreparo de médicos, enfermeiros e técnicos quanto ao acompanhamento efetivo dos portadores da doença e de seus responsáveis.Dessa forma,torna-se perceptível que muitos pais, por falta de informação, submetem seus filhos a terapêuticas invasivas e traumáticas, agravando ainda mais o quadro psíquico.

Sendo assim,constata-se que a manutenção de elevadas exigências pessoais e sociais, associada à defasagem de entendimento acerca da doença, são aspectos preponderantes para análise da questão alarmante da depressão na população juvenil. Faz-se necessário, portanto, que as instituições de ensino, em parceria com ONGs, ofereçam oficinas interativas para os adolescentes, nas quais os alunos possam expor seus temores em rodas de conversa informal, de modo a desconstruir o mito do sucesso imediato e a ensinar como lidar com frustrações.É fundamental,ainda, que o setor de panejamento das Secretarias de Saúde desenvolva cursos atualizados de capacitação dos profissionais, pautados no ensino de formas mais eficazes e práticas de orientação médico-hospitalar.