O aumento da depressão entre os jovens no Brasil

Enviada em 02/07/2018

Hodiernamente, o Brasil vive sob a égide de uma democracia que provém da Constituição promulgada em 1988. A partir desse pressuposto, inscrito em tal conjunto de leis está o artigo 5, o qual tem por função garantir, essencialmente, o respeito à dignidade humana a todos os cidadãos. Entretanto, apesar de assegurado pela Magna Carta vigente, percebemos que aspectos da contemporaneidade contribuem negativamente para a elevação dos casos de depressão no país. Tal tema merece maiores discussões no âmbito sócio-filosófico.

A priori, é importante sublinhar que, segundo o célebre sociólogo moderno, Zygmunt Bauman, a sociedade vive em um período denominado de modernidade líquida. Esse conceito remete ao crescimento do sentimento de imediatismo, individualismo e instabilidade nas relações sociais existentes. Diante disso, o surgimento de preconceitos, concomitantemente ao avanço das tecnologias de informação contribuem para a disseminação do ódio e acabam por favorecer casos de assédio moral, como o bullying nas escolas e universidades e o cyberbullying em grande parte das plataformas digitais. Tais considerações ajudam a aumentar o número de casos de jovens com depressão, pois o sentimento de exclusão da sociedade pode acarretar problemas psíquicos que merecem atenção do Estado.

A posteriori, caberia lembrar ainda as ideias do importante filósofo inglês, Karl Marx. Esse autor, por seu turno, em sua teoria sobre o fetichismo da mercadoria, dizia que os indivíduos deveriam ser tratados, não como coisas que possuem valor, mas como pessoas que têm dignidade. Partindo dessa análise, nota-se que a sociedade brasileira, decerto, tem ido de encontro ao postulado filosófico, uma vez que a indústria cultural vem utilizando fenômenos de relevância para o setor da cultura, como música, dança e vestimenta, como instrumentos para serem mercantilizados. Desse modo, a opressão simbólica que a sociedade exerce sobre a população reforça a existência de casos de depressão no Brasil, como pode ser percebido no aumento do número de doentes no século da globalização.

Destarte, para enfrentar os desafios de assegurar os direitos fundamentais, mormente os referentes à saúde e à dignidade humana, é necessário uma política que se oriente pelo princípio da responsabilidade compartilhada dos atores sociais, como o Estado e a sociedade. Sob tal ótica, é função do Governo, na figura do Poder Executivo, implementar campanhas publicitárias, por meio de redes sociais, de palestras, de teatros e do cinema, que tenham por intenção reivindicar a importância do respeito ao próximo para a consolidação de um país justo e solidário, onde a sociedade civil organizada ajude as pessoas a buscarem centros de tratamento para a depressão de forma natural.