O aumento da depressão entre os jovens no Brasil

Enviada em 02/07/2018

O aumento da depressão entre jovens no Brasil é um problema recorrente, o que se comprova pelos dados da Associação Brasileira de Psicanálise, que revelam que cerca de 10% da população jovem brasileira possui depressão. Isso deve ser enfrentado, uma vez que a depressão causa diversas consequências negativas, como tristeza, desânimo, irritabilidade e até o suicídio. Nesse sentido, aspectos como o descaso estatal e o preconceito social que, em pleno século XXI, ainda existe contra os doentes, fazem-se relevantes para o entendimento e resolução da problemática.

Em primeiro lugar, destaca-se como uma das causas do aumento da depressão entre jovens no Brasil a ineficácia do Estado no tratamento da depressão. Segundo Aristóteles, “a felicidade e a saúde são incompatíveis com a ociosidade”. Logo, quando se observa a situação no país no que tange ao número de jovens que possuem a doença, percebe-se que o filósofo está correto, uma vez que a depressão também causa tristeza e maus hábitos de saúde, levando à ociosidade, seja na escola ou no trabalho. Por isso, a falta de profissionais capacitados e de clínicas especializadas no assunto tende a piorar a situação, dado que, segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), o número de depressivos no Brasil cresceu 705% em 16 anos e ainda tende a crescer.

Em segundo lugar, destaca-se o preconceito social como impulsionador do problema. De acordo com Dalai Lama, “a humanidade não pode sobreviver sem compaixão”. Entretanto, observa-se que, no Brasil, ainda persista a falsa ideia de que depressão é, no caso dos jovens, uma “frescura”, desconsiderando-se o fato de que aproximadamente 10 milhões de brasileiros, segundo a OMS, possuem depressão. Além disso, a depressão, que já foi tratada até como pecado, na Idade Média, necessita de apoio familiar, para que se evite consequências graves como o suicídio, o que é retratado na recente série “13 Reasons Why”. A junção de pensamentos retrógrados com a falta de apoio  familiar são, portanto, outros culpados pela alta do número de jovens depressivos, no Brasil.

Desse modo, fica evidente que são muitos os entraves que aumentam o número jovens depressivos no país. Destarte, o Ministério da Saúde deve, junto ao Ministério do Trabalho, através de programas de capacitação profissional, prover o aumento do número de profissionais e clínicas especializadas no tratamento da depressão, para garantir tanto a melhora no número de casos tratados como a prevenção desses, visando reduzir a grande quantidade de pessoas com a doença, no Brasil. Ademais, ONG’s poderiam, por meio de palestras escolares, campanhas publicitárias e redes sociais, divulgar campanhas de apoio e valorização à vida daqueles que possuem depressão, o que garantiria maior apoio e melhor conscientização da população ao tratamento, além de mitigar o preconceito social.