O aumento da depressão entre os jovens no Brasil

Enviada em 03/07/2018

Falta de vontade e de projetos de vida, tristeza e desânimo permanente são alguns dos vários sintomas da depressão. Doença ainda tratada como tabu pela maioria da população brasileira atualmente. Comentários como “é falta do que fazer” ou “isso é frescura” ainda são uma realidade enfrentada por jovens e adolescentes brasileiros, resultando em um aumento expressivo no número de pessoas acometidas pela depressão. A ineficiência do atual sistema de ensino e a pressão excessiva sofrida pelos jovens contribuem para o agravamento da problemática.

No livro “O Homem mais inteligente da História”, o autor e também psiquiatra Augusto Cury expõe sua tese, baseada em 15 anos de estudos, a qual revela os efeitos negativos do sistema de ensino vigente. De acordo com o escritor, as instituições escolares se preocupam apenas com a formação acadêmica e profissional de seus alunos, esquecendo-se de outra parte importante da formação de um ser humano altruísta, criativo e empático: a gestão da mente e de suas emoções. Isso gera indivíduos instáveis e frágeis emocionalmente, egoístas e impacientes. Como também, o avalanche de informações lançadas todos os dias e sua má gestão, são fatores a serem considerados na análise do atual cenário vivido pelos jovens no país.

Além disso, a cobrança excessiva da sociedade contribui para o adoecimento de jovens e adolescentes que, inexperientes, não conseguem lidar com suas frustrações e insucessos e acabam se tornando depressivos ou agravando um quadro já existente. Ademais, a ingenuidade abre espaço para séries e filmes que relatam situações parecidas e vividas pela maioria dos adolescentes, como 13 Reasons Why - série americana que mostra o suicídio de uma garota - pode possibilitar uma piora da situação, podendo passar da depressão para o suicídio.

Urge, portanto, que instituições pública e indivíduos ajam em unidade para mitigar a problemática do aumento do número de casos de depressão entre os jovens no país. Cabe ao Ministério da Educação revisar o sistema de ensino vigente, acrescentando debates sobre a temática, aulas sobre autoconhecimento e gestão emocional, além de promover palestras com especialistas no assunto para pais e alunos. Como também, capacitação de professores para que saibam a melhor maneira de lidar com o aluno que apresenta sintomas de depressão. Além disso, cabe ao Ministério da Saúde oferecer acompanhamento psicopedagógico para jovens e adolescentes, de maneira gratuita. À mídia, por sua vez, concerne a criação de campanhas sobre a importância de cuidar da saúde mental, de incentivo popular, e abordar a temática em programas e ficções engajadas.