O aumento da depressão entre os jovens no Brasil
Enviada em 02/07/2018
O SISTEMA PRISIONAL BRASILEIRO E SEUS EFEITOS NO SÉC XXI
Nos primeiros séculos da era cristã Santo Agostinho, filósofo e teólogo, já falava que “dois homens olharam através das grades da prisão; um viu a lama, o outro as estrelas”. Sob essa ótica, podemos estabelecer um paralelo quando temos em mente a grave situação da população carcerária brasileira, onde as atuais condições oferecem apenas a lama. Dessa forma, reverter as atuais condições físicas inumanas das celas, bem como garantir o princípio de reinserção social dos apenados se faz indispensável.
Em primeiro plano, é necessário frisar as condições sub-humanas e muitas vezes torturantes em que vivem os encarcerados no país. Rebeliões recentes seguidas de massacres como os ocorridos em Manaus/AM e em Nísia Floresta/RN escancaram o problema apontando diversos abusos quanto a Direitos Humanos Fundamentais garantidos na Constituição de 1988, como o direito a integridade física e moral. Tais acontecimentos descortinam à situação de deploração na qual os apenados do país vivem, muitas vezes sem acesso ao básico, tornando distante a ideia de sociabilidade prisional.
Assim, é importante compreender que há muito tempo o encarceramento, sobretudo no Brasil, deixou de cumprir seu papel social de recuperar o indivíduo face ao dano causado por ele à sociedade. Tendo em vista isso, Aristóteles já mencionava que “o homem é um animal social”, dessa forma, analisando o contexto em que vivem os encarcerados no Brasil, a hostilidade e a própria luta pela sobrevivência atravancada nos presídios torna impossível à reinserção e ressocialização desses indivíduos. Deste modo, um ambiente que deveria servir para redimensionamento da vida dos encarcerados serve na verdade como uma verdadeira universidade do crime.
Fica evidente, portanto, que a atual realidade prisional brasileira precisa ser revista. As necessárias reformas e manutenções dos presídios deveriam ser arquitetadas e executadas com a ajuda dos próprios presidiários, promovendo um abrandamento da pena aqueles que se propuserem a trabalhar nas obras. Programas educativos como cursos técnicos e laborais poderiam ser ofertados, juntamente com a inciativa privada. Além disso, as universidades deveriam impulsionar seus alunos a se aproximarem desse público, promovendo minicursos e oficinas, fazendo com que a educação seja uma mola propulsora para a mudança dessa realidade, ideia tão defendida por Paulo Freire.