O aumento da depressão entre os jovens no Brasil

Enviada em 05/07/2018

“Os Sofrimentos do Jovem Werther” foi um romance escrito por Goethe, ainda no século XVIII, que desencadeou uma onda de suicídios na Europa, o chamado “efeito Werther”. Apesar do hiato temporal, mas com resultado trágico semelhante, o jogo da Baleia Azul apareceu, na contemporaneidade, angariando adolescentes de vários continentes a realizarem 50 desafios, tendo como último deles, o suicídio. Nesse sentido, é fundamental discutir sobre a problemática da depressão, já que o suicídio ocorre, geralmente, entre indivíduos com distúrbios psíquicos de caráter depressivo e os efeitos dessa problemática para a sociedade.

Em uma sociedade hipercapitalista, pautada pela cultura de massa, o perfil depressivo dos indivíduos passa a ser evidenciado. Ao tomar como base o pensamento freudiano, tal fato se dá porque o homem é um ser falante, ou seja, seus desejos jamais são satisfeitos, pois eles se atualizam constantemente. Dessa forma, aproveitam-se da falta essencial que habita o ser, a lógica capitalista incute nas pessoas a ideia de que elas precisam consumir por necessidade, a fim de se enquadrarem no padrão exigido pela modernidade. Com isso, estar distante do modelo proposto, leva o indivíduo a adentrar em uma posição de frustração e de sofrimento que repercute em um posterior quadro depressivo. Prova disso são dados da pesquisa realizada pela Northwestern Univerty, os quais apontaram que pessoas que dão alto valor para riqueza, status e bens matérias são depressivas, ansiosas e menos sociáveis.

Além disso, é importante entender que existe, na atualidade, uma “epidemia da indiferença” que maximiza e perpetua a problemática da depressão. Essa relação é possível, pois em uma unidade social na qual o importante não é ser feliz, mas parecer ser feliz, as pessoas que demonstram algum sinal de fraqueza ou de tristeza ficam isoladas e são subjugadas. Nesse sentido, percebe-se que as relações interpessoais do séc. XXI são superficiais e frágeis,  que caracteriza a chamada “Modernidade Líquida”, antes definida pelo filósofo polonês Zygmunt Bauman. Com a falta de solidez em tais relações, torna-se um desafio identificar o sofrimento emocional alheio.

Portanto, a doença do século XXI precisa ser freada. Para isso, é importante que o poder judiciário disponibilize mais fiscais que verifiquem a presença de psicólogos nas escolas públicas e privadas, bem como nos setores trabalhistas, já que esses profissionais, a partir do diálogo, são essenciais na prevenção e tratamento da depressão. Ademais, em prol do bem-estar coletivo, a classe médica dos psiquiatras, juntamente com estudantes de medicina, deve promover workshops que tenham como público alvo os pais, para que seja discutido sobre a gravidade da depressão e os sinais típicos dela, ajudando-os a identificar o estágio inicial. Com tais medidas, formar-se-á uma juventude mais sólida.