O aumento da depressão entre os jovens no Brasil
Enviada em 02/07/2018
Desde o iluminismo, entende-se que uma sociedade só progride quando um se mobiliza com o problema do outro. No entanto, quando se observa o aumento da depressão entre jovens, no Brasil, hodiernamente, verifica-se que esse ideal iluminista é constatado na teoria e não desejavelmente na prática, e a problemática persiste intrinsecamente ligada à realidade do país, seja pela inoperância estatal, seja pela atuação insatisfatória dos setores da sociedade civil. Nesse sentido, convém analisar as principais consequências de tal postura negligente para a sociedade.
Nessa perspectiva, é indubitável que a questão constitucional e a sua aplicação estejam entre as causas do problema. Segundo o filósofo grego Aristóteles, a política deve ser utilizada de modo que, por meio da justiça, o equilíbrio seja alcançado na sociedade. De maneira análoga, é possível perceber que, no Brasil, a falta de campanhas educativas que alertem a sociedade sobre a problemática rompem essa harmonia, descumprindo, então, o artigo 6 da Constituição Federal, o qual afirma ser dever estatal garantir a saúde aos cidadãos.
Outro ponto relevante, nessa temática, é o preconceito da sociedade que ainda é agente ativo na segregação dos jovens que são acometidos pela depressão. Desse modo, esse fator contribui para a formação de um cenário favorável no que se refere ao fortalecimento do comportamento suicida, uma vez que, segundo dados do portal de notícias BBC, a taxa de suicídio entre jovens sobe 10% desde 2002. Seguindo essa linha de raciocínio, o historiador Nicolau Maquiavel sustenta a ideia de que os preconceitos têm mais raízes do que princípios.
É evidente, portanto, que ainda há entraves para garantir a solidificação de políticas que visem à construção de um mundo melhor. Destarte, necessita-se, urgentemente, que o Tribunal de Contas da União direcione capital que, por intermédio do CVV (Centro de Valorização da Vida), será revertido para promover palestras ministradas por especialistas na área (como psicólogos e médicos psiquiatras) nas escolas, com o intuito de fornecer a base para a desconstrução de discursos retrógrados e preconceituosos sobre a depressão, a fim de que o tecido social se desprenda de certos tabus para que não viva a realidade das sombras, assim como na alegoria da caverna do filósofo Platão.