O aumento da depressão entre os jovens no Brasil
Enviada em 04/07/2018
Em 400 a.c, Hipócrates utilizou os termos “mania” e “melancolia” para perturbações mentais. Evidencia-se, portanto, que a depressão e seus sintomas são fenômenos universais que acompanham o homem há muitos séculos. No entanto, em virtude das mudanças globais e da atual conjuntura brasileira marcada pelas redes sociais e liquidez das relações humanas, a depressão tem acometido muitos jovens e já figura como um problema de saúde pública. Dessa forma, fatores como a negligência com os doentes e o desconhecimento das desordens psíquicas complexificam o combate desse transtorno.
Em primeira análise, segundo Dráuzio Varela as fases nas quais ocorrem grandes transformações, como a adolescência, são as que mais vulnerabilizam o indivíduo ao desenvolvimento de quadros de depressão. Além disso, quando analisamos o ambiente das redes sociais, muitas vezes hóstil e permeável a comportamentos como cyberbullying, percebe-se a existência de um campo opressor que pode desencadear distúrbios psíquicos relacionados, principalmente, a auto-imagem do indivíduo. Assim, está cada vez menos incomum casos como o da paraense Dielly Santos que aos 17 anos tirou a própria vida vítima da depressão gerada pela gordofobia sofrida na escola e no ambiente virtual.
Outro fator adensador da depressão entre jovens no Brasil é a negligência em relação aos transtornos psíquicos, pois nem ao menos contamos com estatísticas específicas acerca do número exato de jovens acometidos. Desse modo, os dados da Organização Mundial da Saúde que apontam para 6% da população brasileira de depressivos é insuficiente para estabelecer políticas públicas personalizadas para esse grupo. Além disso, há também o fator estigmatizante, pois para muitos leigos a depressão é uma questão de escolha, o que dificulta, portanto, a detecção dessa síndrome por parte de muitas famílias de jovens atingidos.
Destacam-se, por conseguinte, adversidades significativas para conter o avanço da depressão na juventude, síndrome considerada grave e de caráter amotivacional. A fim de dimensionar o índice de jovens deprimidos, o Ministério da Educação deve mensurar o grau de depressão nas escolas e universidades por meio da aplicação de um questionário do tipo DASS-21 cujo fim é detectar a presença desse transtorno. Com isso, os Centros de Assistência Social poderão viabilizar atendimentos específicos para eles e e tratá-los antes que consequências letais como o suicídio ocorram. Ademais, a sociedade deve desenvolver maior empatia por esses indivíduos por meio da busca por informações acerca da doença a fim de detectar com mais rapidez e dar assistência a familiares e amigos que apresentem os sintomas, como tristeza infindável e insônia.