O aumento da depressão entre os jovens no Brasil
Enviada em 05/07/2018
Historicamente, a problemática da depressão sempre se fez presente na sociedade, seja na escravidão em que o escapismo da trágica situação culminou no suicídio de muitos escravos, ou na grave crise de 1929 que, da noite para o dia, transformou milionários em devedores. Nos dias atuais, o número de pessoas com sintomas indicativos da doença vem aumentando principalmente nos jovens, fazendo com que tal problemática deva ser abordada pela sociedade como uma adversidade atual do Brasil.
Deve-se pontuar, de início, que a depressão pode surgir em um âmago de baixa autoestima, altas cobranças por boa performance escolar e inseguranças sobre o futuro, causando intenso estresse e sentimentos negativos. Recentemente, problemas como o bullying também têm contribuído para agravar esse quadro, no qual uma patologia bioquímica atua, negativamente, na produção de hormônios causadores da sensação de bem-estar, como a ocitocina, resultando no sentimento constante de infelicidade.
Além disso, o estereótipo de beleza cobrado nos dias atuais, é um importante tópico fomentador desse problema. Essa conjuntura valida-se no fato de que a busca pelo rosto e corpo perfeitos gera no jovem uma enorme ansiedade por não conseguir acompanhar o ritmo exigido pelo mercado, desencadeando todo o processo da doença. Nessa perspectiva, uma pesquisa divulgada pela Folha de São Paulo revelou que 78% dos adolescentes atendidos nos consultórios de psicologia apresentam crises de ansiedade e depressão ligadas à busca do padrão de beleza ideal.
Por fim, a falta de conhecimento em relação a essa doença é um fator que colabora com seu aumento entre os jovens. Isto porque a falta de entendimento dos mecanismos biológicos e sociais que desencadeiam a depressão e seus sintomas faz com que o estigma do depressivo seja o de uma pessoa fraca, dramática e infeliz. Com isso, a depressão acaba sendo negligenciada tanto pela sociedade quanto pelos jovens que a têm.
Infere-se, portanto, que é imprescindível medidas públicas para alterar tal cenário. A maneira mais efetiva de se colocar em prática esse objetivo é capacitando profissionais de educação e pais, por meio de campanhas e palestras realizadas pelo Ministério da Saúde, informando maneiras de evitar que a doença afete os jovens e auxiliando na identificação de fatores que possam ser sinais de doenças psíquicas. Concomitantemente, as escolas devem promover núcleos de debates para jovens liderados por psicólogos, com o objetivo de desconstruir a ideia do padrão de beleza imposto e reafirmar o valor individual de cada ser, ressaltando a importância do amor próprio e do amor ao próximo.