O aumento da depressão entre os jovens no Brasil
Enviada em 24/06/2018
A depressão é uma das doenças que mais crescem no mundo atualmente, negligenciar a sua importância é um dos grandes perigos na sociedade. De acordo com a Folha de São Paulo, nos últimos 15 anos o índice de episódios depressivos entre jovens de 12 a 17 anos cresceu 37%. Esse dado revela que os comportamentos adquiridos com o estilo de vida da sociedade atual estão favorecendo ao crescimento dessa doença na juventude. Nesse sentido, é valido ressaltar dois problemas que influenciam esse dado: o despreparo da população, em especial no âmbito familiar e o uso excessivo da ‘Internet’ e do mundo digital nessa faixa etária.
Em primeiro lugar, vale destacar o tabu que a depressão ocasiona nas relações familiares, segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), 71% dos jovens depressivos escondem a sua situação dos seus pais. Essa atitude é causada pelo medo, vergonha e sobretudo o descaso que os familiares podem ter relacionado à esse assunto. Sob essa ótica, a causa desse descaso muitas vezes é ocasionada pelo desconhecimento e o despreparo acerca dessa enfermidade, pelo fato de a geração desses pais não terem tido o aprendizado correto enquanto jovens. Nesse raciocínio, é comum esses pais acharem que tudo não passa de ‘frescura’ ou uma tristeza passageira, haja vista que antigamente era comum omitir os sentimentos e não manter um diálogo aberto com a família numa sociedade conservadora., o que reflete em falta de destreza para o assunto no contexto doméstico.
Em segundo lugar, vale ressaltar a influência que os meios tecnológicos têm sobre a depressão. Essa influência é motivada pelo fato da ‘Internet’ diminuir o contato cara a cara do usuário com outras pessoas, o que pode acarretar um distanciamento da realidade e prejuízos nas relações sociais e familiares. Nesse sentido, ‘sites’ como ‘Facebook’ e ‘Instagram’ favorecem a criação de padrões irreais na sociedade, como a ideia de corpo perfeito, sensação de constante felicidade e sucesso profissional, a qual frustram e afetam a qualidade de vida do usuário.
Fica evidente, portanto, a necessidade de uma intervenção tanto do governo quanto da sociedade civil. Cabe ao Ministério da Saúde, em parceria com a ABRATA (Associação Brasileira de Familiares, Amigos e Portadores de Transtornos Afetivos) aumentar a quantidade de psicólogos, psiquiatras e voluntários em hospitais e postos da rede pública, para facilitar o atendimento dos doentes, e principalmente dos que não tem condições de pagar um tratamento. Ademais, cabe ao Ministério da Educação, em conjunto com o Poder Legislativo criarem uma lei que obriga a presença de um psicólogo em todas as escolas do país, para poderem além de promoverem um melhor acompanhamento dos jovens, também alertar aos pais, a partir de palestras e reuniões acerca dos perigos da depressão na juventude.