O aumento da depressão entre os jovens no Brasil
Enviada em 29/05/2018
O grito coletivo
Qualificada como “o mal do século” pela Organização Mundial da Saúde, a depressão tem mobilizado ininterruptamente os setores médico, político e midiático. No Brasil, o crescente diagnóstico da psicopatologia entre os jovens revela brutal espoliação do direito natural à saúde, trazendo à tona a urgência de maximizar a prevenção e o controle sobre a mazela.
Na dimensão factual, é pertinente buscar a gênese do flagelo. Em consonância o sociólogo Zygmunt Bauman, a depressão hodierna é produto do esfacelamento dos vínculos interpessoais na pós-modernidade, o qual resulta em solidão, em medo e em subtração da autoestima. Destarte, cabe estabelecer a interdependência entre as transformações sociais vivenciadas nos séculos XX e XXI e a violenta fragilização da saúde mental, demonstrada na “morte cívica”, conceituada pelo polonês.
Em decorrência disso, irrompe o desafio. De acordo com o Mapa da Violência 2017, no Brasil, o país mais depressivo da América Latina, a taxa de suicídios na população de 15 a 29 anos aumentou 10% de 2002 a 2014. Tal informação aponta os jovens como um grupo especialmente afetado pela depressão, um distúrbio mental que, não obstante cercear drasticamente o bem-estar humano, ainda é permeado pela falta de informação e de esforços concretos orientados a erradicá-lo.
Desse modo, cabe ao Ministério da Saúde a canalização de verbas orçamentárias para a ampliação dos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), com o fito de aprimorar a rede de tratamento e de prevenção da depressão, por meio do atendimento médico e psicológico aos jovens de todo o país. Já em relação às instituições de ensino, em parceria com o Ministério da Educação, impõe-se a promoção de palestras e de rodas de conversa com profissionais da área, além de acompanhamento individual especializado. Com isso, objetiva-se facilitar o diagnóstico e a intervenção na patologia. Afinal, “o grito”, quadro expressionista em que Edvard Munch pintou o desespero existencial, não é mais um evento isolado.