O aumento da depressão entre os jovens no Brasil
Enviada em 29/05/2018
No século XIX, a Literatura Ultrarromântica brasileira possibilitou diversos autores - como Aluísio de Azevedo - tratarem de suas angústias e sofrimentos relacionados à proximidade da morte. Contemporaneamente, esse estado de espírito corrobora para a disseminação da depressão e consequentemente o seu aumento no país, principalmente nos jovens, em que atrelado à padrões econômicos e sociais, perpetua problemáticas à qualidade de vida e integração do indivíduo a sociedade.
É pertinente elencar que a pressão exercida pela pós modernidade no cotidiano do cidadão comum, pode levar à depressão, pois como dizia o sociólogo Zygmunt Bauman, essa situação cria uma espécie de medo líquido que leva ao mal estar e à depressão. Dessa forma, o consumismo se torna uma “alavanca social” para que tal indivíduo seja visto com os padrões estabelecidos pela sociedade. Logo, se este não corresponder aos critérios, será excluídos de grupos sociais, e no caso dos adolescentes, essa busca por referências e aceitação constitui uma forte razão para sua existência.
Além disso, há também a falta de estrutura do SUS para o tratamento da depressão e das enfermidades associadas - visto que, reduz a imunidade - logo, faz com que muitas pessoas não procurem atendimento e que seu quadro clínico piore cada vez mais. Em detrimento disto, a falta de projetos estatais tanto para o tratamento quanto para o auxílio na reenserção do individuo na sociedade, causa impactos sociais e econômicos, e agravam a situação caótica da saúde pública e impedem, que a pessoa volte a se inserir em grupos sociais.
Torna-se evidente, portanto, que essa entrave social deve ser debatida e solucionada. Logo, cabe ao MEC criar projetos para serem desenvolvidos nas escolas, como workshops, oficinas e debates, com profissionais qualificados e que estas incluam em sua grade curricular estas atividades, para que pouco a pouco esse assunto seja debatido, uma vez que ações culturais têm imenso poder transformador. Além disso, cabe aos Ministérios o mapeamento das necessidades sociais para que se aja de forma precisa, por exemplo, com a ampliação do CAPS - Centro de Apoio Psicossocial -, junto a isto, o Poder Legislativo crie leis que estimulem maior repasse de verbas para a construção de novos centros. Assim, moldar-se-a um Brasil mais justo, coeso, harmônico e, por fim, humano.