O aumento da depressão entre os jovens no Brasil
Enviada em 26/05/2018
A segunda geração do modernismo, conhecida como mal do século, produzia textos literários, sob tom melancólico, abordando os sentimentos, a fuga e os recortes depressivos da realidade. Na atual conjuntura, esse fenômeno deixou de ser fictício, tornando-se presente na sociedade brasileira, haja vista o crescimento expressivo no número de pessoas com depressão, mormente, os jovens. Dessa forma, é necessário avaliar os motivos do aumento dessa patologia, a qual prejudica a qualidade de vida do indivíduo, para assim, solucioná-la.
Cabe salientar que o imediatismo da sociedade contemporânea interfere, diretamente, no desenvolvimento da depressão. As pressões sociais para se entrar em uma faculdade de prestígio cedo, ter um trabalho reconhecido, uma vida amorosa e financeira estável são os principais impulsionadores desse mal na juventude, intensificando os sentimentos de tristeza, angustia, ansiedade e inferioridade, quando o resultado esperado não é obtido. Ademais, eventos do cotidiano como situações estressantes, doenças físicas, falecimento de um ente querido, conflitos em relações familiares e interpessoais, também podem ser relacionados ao surgimento dessa patologia. Por conseguinte, revela-se o quão complexo e intenso são os efeitos sociais na vida de um indivíduo, que pode isolar-se do convívio social e em grupo, prejudicando a si mesmo e aqueles que o cerca.
É notório, ainda, que a banalização dessa doença esteja entre um dos principais motivos para o agravamento do transtorno depressivo, em pleno século XXI. De acordo com a Organização Mundial da saúde (OMS), no pior dos casos, a depressão pode levar ao suicídio, segunda principal causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos. Observa-se, então, que a falta de conhecimento na área, o estigma social e a ausência de atenção a gravidade do problema, resultam em um tratamento lento, precário e ineficiente. Logo, a neglicencia da depressão causa grandes impactos na vida das pessoas, de proporções psicológicas, físicas e sociais, a qual pode levar a pensamentos suicidas.
Portanto, o aumento da depressão requer ações mais efetivas para ser erradicada no Brasil. Nesse sentido, o Governo Federal, deve promover programas de combate à depressão na saúde pública, por meio do Ministério da Saúde, necessita investir em tratamentos preventivos à essa doença nas Clínicas da Família, com a disponibilização de mais profissionais especializados na área, como psicólogos e psiquiatras, acompanhamentos psicoterapêuticos mensais e domésticos, oferta de medicamentos e grupos de conversação. Espera-se, com isso, normalizar os sintomas associados à depressão, ajudando quem realmente precisa de forma única e gratuíta. Assim, será possível, minimizar, gradativamente, o novo mal do século.