O aumento da depressão entre os jovens no Brasil
Enviada em 04/05/2018
Durante a Segunda Geração Romântica, a depressão, abordada em muitas obras no decorrer dessa época, foi uma doença muito recorrente na sociedade brasileira. No entanto, mesmo após décadas, os indícios dessa psicopatologia continuam altos no país, principalmente entre os jovens. Dessa forma, vale ressaltar como o estigma em torno da doença e pressões sociais e pessoais influenciam no aumento do problema.
É notório que o tabu gerado pela sociedade enfraquece o combate da patologia, visto que a maioria das pessoas evitam debater essa questão. Nesse sentido, os sintomas da depressão são, muitas vezes, confundidos com mudanças hormonais dos adolescentes, pois o desconhecimento da doença abre brechas para preconceitos e para a sua continuidade, denunciando, também, em alguns casos, a negligência dos pais. Nesse viés, campanhas governamentais são criadas - por exemplo o Setembro Amarelo - para evitar consequências maiores, como o suicídio, porém são insuficientes, haja vista que, de acordo com a OMS, o Brasil é o terceiro país mais deprimido do mundo.
Outrossim, a contribuição das pressões sociais e pessoais para a continuidade do problema é, similarmente, um fator importante. Isso ocorre porque, desde cedo, os adolescentes são pressionados a terem uma boa profissão, construírem uma família, manterem-se em padrões sociais e serem bem-sucedidos, ou seja, a modernidade líquida, como afirma Zigmunt Bauman, criou um ambiente onde as boas relações pessoais foram substituídas pelas buscas incansáveis do sucesso individual. Como efeito, a depressão entre os jovens ganha mais espaço no país, cerca de 60% já apresentaram sintomas dessa enfermidade em algum momento da vida, segundo o Ministério da Saúde.
Para que a saúde mental se estabeleça entre esse grupo, portanto, medidas devem ser tomadas. Cabe ao Ministério da Educação, juntamente com a comunidade escolar, realizar projetos que destrinchem o tabu gerado pela depressão, por meio de palestras e debates e discussões, para informar sobre a doença e incentivar a busca por ajuda. Além disso, o Ministério da Saúde, em parceria com as Secretarias Municipais, deve criar setores específicos ao tratamento de psicopatologias em postos de saúde, com o apoio de psicólogos, investimentos do Poder Executivo e apoio da sociedade como um todo, para efetivar o combate a esse mal. Assim, os índices da doença serão reduzidos entre os jovens, que deixarão o problema no passado.